Polícia russa dispersa protestos e prende líderes de oposição

Policiais prendem Boris Nemtsov em Moscou neste sábado (Reuters, 31 de julho)
Image caption Oposicionistas tentavam se manifestar pelo direito de livre reunião

A polícia russa prendeu dois líderes de oposição e dezenas de outros ativistas que tentavam realizar protestos nas cidades de Moscou e São Petersburgo neste sábado.

Os integrantes de movimentos de oposição planejavam se manifestar contra supostas restrições ao direito de realizar reuniões públicas, que é garantido pela Constituição russa.

Entre os presos estariam Boris Nemtsov, político conhecido por suas críticas ao primeiro-ministro Vladimir Putin, e o ativista Sergei Udaltsov.

Segundo informações, teriam sido registrados confrontos em São Petersburgo, onde alguns manifestantes teriam ficado feridos.

Já em Moscou, a praça onde os oposicionistas planejavam se reunir já se encontrava interditada, ainda antes do protesto, para um evento dedicado a carros de rally, que, segundo as autoridades, estava previamente marcado.

De acordo com Richard Galpin, repórter da BBC em Moscou, esta pode ter sido apenas uma justificativa para evitar a realização da manifestação. Estratégias semelhantes já haviam sido utilizadas anteriormente.

Temor

À medida que os manifestantes chegavam à praça no centro de Moscou, policiais e homens do Ministério do Interior já cercavam o local.

Alguns ativistas, no entanto, conseguiram se misturar às pessoas que assistiam ao evento dedicado a carros, e começaram a gritar palavras de ordem.

De acordo com Galpin, a polícia teria dispersado os oposicionistas com violência.

Para Masha Lipman, do centro de estudos Carnegie Center de Moscou, que testemunhou os eventos, a ação da polícia mostra a preocupação do governo russo com o crescimento de movimentos oposicionistas.

“Não há um movimento (organizado), mas há crescente insatisfação e descontentamento”, disse Lipman à BBC.

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