Por controle, países árabes proíbem funções do Blackberry

Aparelho Blackberry
Image caption Mensagens enviadas de um aparelho para o outro são codificadas

Dois países do Golfo Árabe anunciaram a proibição de algumas funções do telefone celeular Blackberry, alegando razões de segurança.

Os Emirados Árabes Unidos vão bloquear o envio de e-mails, o acesso à internet e o envio de mensagens instantâneas de um aparelho para o outro.

A Arábia Saudita vai proibir o envio de mensagens instantâneas de um aparelho para o outro.

Os dois países demonstraram irritação por não poder monitorar este tipo de comunicação entre os aparelhos.

Isso ocorre porque as mensagens enviadas de um Blackberry para o outro são automaticamente codificadas e enviadas para servidores fora dos países.

O envio de mensagens será proibido na Arábia Saudita ainda neste mês, enquanto que as proibições entram em vigor nos Emirados Árabes Unidos a partir de outubro.

Abdulrahman Mazi, membro da diretoria da Saudi Telecom – controlada pelo Estado – admitiu que com a proibição, o governo saudita pretende pressionar a proprietária canadense da Blackberry, Reasearch in Motion (RIM), a liberar dados das comunicações entre os usuários, “quando necessário”.

O orgão regulador de telecomunicações nos Emirados Árabes Unidos, a TRA, afirmou que a recusa da RIM em cumprir com as leis locais levantou “preocupações judiciais, sociais e nacionais”.

A RIM ainda não comentou a questão.

Estima-se que haja 500 mil usuários de Blackberry nos Emirados Árabes e 400 mil na Arábia Saudita.

“Sem censura”

A TRA informou que alguns serviços do Blackberry serão suspensos a partir do dia 11 de outubro, “até que uma solução compatível com as leis locais seja encontrada”.

“É uma decisão final, mas continuamos as discussões com eles”, disse o diretor-geral da TRA, Mohammed al-Ghanem.

“Não tem nada a ver com censura. Estamos falando de uma suspensão devida ao não cumprimento das regulamentações de telecomunicações nos Emirados Árabes Unidos.”

A suspensão ocorre depois de uma suposta tentativa da TRA de instalar “programas espiões” nos aparelhos Blackberry no país.

Em 2007, a RIM recusou à TRA acesso aos códigos das redes codificadas do aparelho, para que o órgão pudesse monitorar e-mails e outros dados enviados por Blackberry.

Demonstração de poder?

A organização internacional Repórteres Sem Fronteiras, que monitora a liberdade de imprensa, disse à BBC na semana passada que, enquanto os Emirados Árabes Unidos desempenham “um papel de liderança tecnológica no mundo árabe”, eles também contam com “leis repressoras” e uma “tendência geral de vigilância intensa”.

O repórter de negócios da BBC no Oriente Médio Ben Thompson disse que a ameaça dos Emirados Árabes parece ser uma tentativa de obter concessões da RIM.

“Muitos aqui vêem a medida como uma demonstração de poder das autoridades dos Emirados Árabes – uma tentativa de forçar a RIM a passar os códigos de segurança ou perder um lucrativo mercado”, disse ele.

A Índia também demonstrou preocupações com segurança em relação aos serviços do Blackberry, afirmando que eles poderiam ser usados por militantes de grupos ilegais.

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