Mercosul busca acordo com o Egito em cúpula na Argentina

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva em cúpula do Mercosul em Montevidéu, em julho do ano passado   Foto: Ricardo Stuckert PR
Image caption Aproximação entre Lula e presidente da França desperta esperanças de futuro acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia

Os presidentes dos países do Mercosul esperam assinar nesta terça-feira, na província argentina de San Juan, um acordo de livre comércio com o Egito, segundo informaram o ministro das Relações Exteriores da Argentina, Hector Timerman, e o secretário de Relações Econômicas, Alfredo Chiaradia.

“Estamos nos últimos detalhes deste entendimento e nossa expectativa é que o acordo será assinado”, disse Chiaradia.

O Mercosul só assinou acordo deste tipo com Israel.

Timerman e Chiaradia não deram detalhes sobre o entendimento com o Egito.

“Temos três ou quatro ítens pendentes. Mas a nossa expectativa e a do ministro de Comércio do Egito (Rachid Mohamed Rachid) é assinar o acordo nesta reunião. Nossos amigos do Mercosul querem o mesmo”, insistiu Chiaradia.

As declarações das autoridades argentinas foram feitas na sexta-feira, durante entrevista com jornalistas estrangeiros no Ministério das Relações Exteriores, em Buenos Aires.

Na véspera, em Quito, no Equador, não houve consenso entre os chanceleres da Unasul (União de Nações Sul-americanas) sobre a criação de um mecanismo para conter a crise entre a Colômbia e a Venezuela. A tarefa da reaproximação ficaria a cargo dos presidentes do bloco sul-americano.

Chávez

Na reunião em San Juan, a previsão é de que o presidente venezuelano, Hugo Chávez, esteja ao lado dos colegas do Mercosul – Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.

A Venezuela está em processo de adesão ao bloco, mas a Colômbia não deverá enviar representante.

Com isso, segundo Timerman, não é esperado que a disputa entre os vizinhos seja tratada nesta reunião de cúpula.

Segundo ele, o fórum para a discussão é a Unasul. “A questão da Colômbia e Venezuela é tema da Unasul”, disse.

Além de Chávez e do ministro do Egito, confirmaram presença os presidentes da Bolívia, Evo Morales, do Chile, Sebastián Piñera, e a chanceler do México, Patrícia Espinosa.

As autoridades diplomáticas argentinas fizeram balanço positivo destes seis meses em que a Argentina presidiu o bloco.

Num comunicado, o Ministério das Relações Exteriores do país destacou, além do acordo com o Egito, a retomada das negociações com a União Europeia e a expectativa, após seis anos de negociações, de assinar, em San Juan, o código alfandegário.

“Em 2004, o Mercosul fixou o objetivo de aprofundar a união aduaneira com a eliminação da dupla cobrança da Tarifa Externa Comum (TEC) e distribuição da renda alfandegária. Tudo indica que nesta reunião vamos poder assinar este acordo para a eliminação da dupla cobrança e distribuição da renda aduaneira”, disse Chiaradia.

É esperada a aprovação de sete projetos, para Uruguai e Paraguai, do chamado Fundo para a Convergência Estrutural (FOCEM). De acordo com Chiaradia, serão entre US$ 700 milhões e US$ 800 milhões.

Dificuldades

Criado em 1991, o Mercosul tem encontrado dificuldades para firmar acordos de livre comércio com outros países ou blocos.

Por isso, há expectativa em relação ao acordo com o Egito.

Na avaliação do secretário de comércio exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comercio do Brasil, Welber Barral, os acordos não avançam em função de práticas protecionistas em outros países. “No caso de Israel, onde não havia grandes questões agrícolas, fechamos o acordo em menos de um ano”, disse.

A presidência temporária do bloco será passada para o Brasil. Segundo Barral, o governo brasileiro deverá ter duas prioridades à frente do Mercosul: a negociação do acordo com a UE e o fim da bitributação, caso não seja assinada em San Juan.

Na questão europeia, a ideia é usar a aproximação entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Nicolas Sarkozy, da França, para destravar as conversas, que esbarram principalmente no protecionismo agrícola francês.

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