Onda de violência após morte de político deixa 45 mortos no Paquistão

Violência em Karachi
Image caption O primeiro-ministro do Paquistão pediu calma em Karachi

Pelo menos 45 pessoas morreram na cidade de Karachi, no sul do Paquistão, em uma onda de violência após o assassinato de um político local.

Raza Haider, do partido MQM, estava participando de um funeral em uma mesquita quando foi baleado, na segunda-feira.

Nesta terça-feira houve tiroteio em pontos da cidade e veículos e estabelecimentos comerciais foram incendiados. Além dos mortos, cerca de cem pessoas foram feridas nos distúrbios.

Grupos de defesa dos direitos humanos dizem que mais de 300 pessoas morreram em assassinatos políticos em Karachi neste ano.

Etnia patã

Karachi, com 16 milhões de habitantes, praticamente parou para o funeral de Haider, no qual simpatizantes do político protestaram.

O primeiro-ministro do Paquistão, Yousuf Raza Gilani, pediu calma e ordenou uma investigação sobre o assassinato.

Segundo testemunhas, Haider, um membro da assembleia da província de Sindh, foi morto em uma mesquita perto do centro da cidade. Seu guarda-costas também morreu no incidente.

A polícia da cidade diz ter prendido uma dúzia de suspeitos em conexão com os assassinatos.

Inicialmente, representantes do MQM haviam responsabilizado simpatizantes do partido rival ANP pelo assassinato.

Tanto o MQM quanto o ANP integram a coalizão do governo, liderada pelo partido PPP, do presidente Asif Ali Zardari.

Autoridades ligadas à segurança em Karachi disseram à BBC, no entanto, que há indícios de que os assassinatos tenham sido obra de um grupo militante islâmico do Paquistão, o Lashkar-e-Jhangvi.

O grupo teria ligações com a rede extremista Al-Qaeda e muitos dos seus líderes vivem em regiões tribais do norte do Paquistão.

De acordo com o correspondente da BBC em Karachi, a maioria das vítimas da violência pertence à etnia patã. Empresas da comunidade, assim como jornalistas, foram alvo de ataques.

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