Governo russo remove material de centro nuclear ameaçado por incêndio

Veículo militar na região russa de Voronezh
Image caption Várias regiões na Rússia estão sofrendo com os incêndios

O presidente da agência nuclear russa, Sergei Kiriyenko, anunciou nesta quarta-feira a remoção de materiais radioativos e explosivos do mais importante centro de pesquisas nucleares do país, na cidade de Sarov, que está sendo ameaçada pelos incêndios que atingem a Rússia desde a semana passada.

Pelo menos 48 pessoas já morreram em decorrência dos incêndios, que atingem 14 regiões do centro e oeste da Rússia e já deixaram sete regiões em estado de emergência.

Também nesta quarta-feira, o presidente russo, Dmitry Medvedev, repreendeu publicamente o chefe da Marinha e demitiu pelo menos quatro oficiais, acusados de não conseguir conter o fogo que atingiu na quinta-feira passada uma base naval a 100 quilômetros a sudeste de Moscou.

A 400 quilômetros a leste da capital, bombeiros continuam combatendo o incêndio nas proximidades do centro nuclear de Sarov.

“Todo material nuclear e radioativo foi retirado do local”, afirmou Kiriyenko, após participar de um encontro de emergência do Conselho de Segurança Nacional, presidido por Medvedev.

Com o anúncio, o governo admite que a situação na região do centro nuclear é mais grave que o inicialmente divulgado.

Apesar disso, Kiriyenko descartou o risco de acidente radioativo. “Eu posso assegurar que, mesmo nesta situação extrema, com ventos fortes, não existe perigo para a segurança nuclear e não há ameaça de radiação, explosões ou consequências ambientais”, disse ele.

Segundo ele, o governo se preocupa sobretudo com os equipamentos sofisticados instalados no centro de pesquisas e também com a suspensão de trabalhos importantes. Ele não divulgou o local de destino do material radioativo removido.

Repreensão pública

Medvedev anunciou a demissão dos militares em um discurso televisionado transmitido do Kremlin. Na ocasião, afirmou que “não estava claro onde estavam” os oficiais no momento do incêndio.

Ele também repreendeu publicamente o chefe da Marinha russa, almirante Vladimir Vysotsky, e seu vice, Alexander Tatarinov, ambos acusados de “falta de responsabilidade profissional” no combate ao fogo.

Entre os oficiais demitidos pelo presidente estão o chefe da divisão logística da Marinha, Sergei Sergeyev, e o chefe de aviação da Marinha, Nikolai Kuklev.

Medvedev ameaçou prosseguir com as demissões casos outros oficiais se mostrem incapazes de proteger instalações militares atualmente ameaçadas pelos incêndios.

“Se algo similar ocorrer em outros departamentos, atuarei do mesmo jeito, sem piedade”, disse.

Fogo

Nos últimos dias, milhares de russos saíram de suas casa para fugir dos incêndios.

O fogo também já destruiu cerca de um quinto da safra de grãos do país.

Segundo dados divulgados pelo governo nesta quarta-feira, 520 focos de incêndio ainda atingem uma área de 188.525 hectares do país.

“Em alguns locais, a situação está saindo do controle e são necessárias manobras urgentes para combater a situação”, afirmou na terça-feira o ministro de Emergências, Sergei Shoigu.

Segundo ele, os trabalhos de combate ao fogo envolvem 155 mil pessoas em todo o país.

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