Calor e fumaça dobram mortalidade em Moscou

Turistas usam máscaras perto da Praça Vermelha, em Moscou, nesta segunda-feira (AP, 9 de agosto)
Image caption Russos estão sendo orientados a sair de casa com máscaras

A taxa de mortalidade diária na cidade de Moscou praticamente dobrou com a onda de calor e a fumaça causada pelos incêndios florestais que atingem o país há três semanas, informaram nesta segunda-feira as autoridades de saúde da capital russa.

“Em dias normais, morrem entre 360 e 380 pessoas – agora são cerca de 700”, afirmou nesta segunda-feira o diretor do departamento de saúde da cidade, Andrei Seltsovsky, que, no entanto, não especificou quando o aumento teria ocorrido.

Registros anteriores indicavam um crescimento de 50% no número de mortos em julho em comparação com o mesmo período do ano passado.

Após as declarações de Seltsovsky, a ministra da Saúde russa, Tatyana Golikova, pediu esclarecimentos a respeito dos números divulgados. Ela se disse “intrigada” com a liberação de dados não oficiais.

Monóxido

Desde a segunda quinzena de julho, foram registradas oficialmente pelo menos 52 mortes em decorrência direta dos incêndios.

Apesar disso, médicos falando na condição de anonimato dizem que os necrotérios de Moscou estão repletos de vítimas de males causados pelo calor e pela exposição à fuligem.

A concentração de monóxido de carbono em Moscou está o dobro do considerado aceitável.

Os aeroportos da cidade estão funcionando normalmente, após terem sido fechados algumas vezes na semana passada em decorrência da fumaça, segundo informações da agência de notícias russa Itar-Tass.

Centenas de milhares de russos estão deixando a capital do país devido à onda de calor.

Os moscovitas que permaneceram na cidade estão sendo orientados a usar máscaras quando saírem às ruas.

A maior parte dos apartamentos da cidade não tem ar-condicionado. Segundo relatos da imprensa local, muitos dos moscovitas mais endinheirados trocaram a casa por hotéis, escritórios e shopping centers.

Incêndios

Na manhã de segunda-feira, 557 focos de incêndio eram registrados no país, segundo informações do governo.

No domingo, 239 incêndios foram extintos, mas outros 247 focos foram identificados.

Os incêndios florestais também resultaram na declaração de estado de emergência na região da usina de reprocessamento nuclear de Mayak, nos Montes Urais.

O local foi palco do pior desastre nuclear russo, com a explosão de um tanque de lixo radioativo em 1957.

Acredita-se que até hoje parte do solo esteja contaminado. Além disso, vários vazamentos radioativos foram registrados no local nos últimos anos.

Safra

De acordo com o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, o impacto dos incêndios sobre a safra de grãos pode ser maior do que o inicialmente esperado.

Atualmente prevista em 65 milhões de toneladas, a safra pode cair para 60 milhões de toneladas, afirmou Putin.

Como resultado, a proibição da exportação de grãos pode ser estendida até 2011 para minimizar a redução da oferta doméstica.

Leia mais na BBC Brasil: Incêndios e seca levam Rússia a suspender exportação de grãos

A Rússia é o terceiro maior produtor mundial de trigo. Seus mercados maiores incluem Egito, Turquia e Síria.

O chefe do serviço de previsão do tempo do governo russo, Alexander Frolov, afirmou que a onda de calor de 2010 é a pior em mil anos de registros da história russa.

“É um fenômeno único – não há nada assim registrado nos arquivos”, afirmou, de acordo com a agência de notícias estatal russa RIA-Novosti.

A expectativa é de que o calor continue, com temperaturas de até 35º C.

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