Para Amorim, gesto humanitário seria ‘bom’ para o Irã

Sakineh Ashtiani
Image caption Amorim diz que rã ainda não respondeu à oferta de asilo à condenada

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse nesta quarta-feira que um gesto humanitário “seria bom” para o Irã, referindo-se ao caso da iraniana Sakineh Ashtiani, condenada à morte por adultério.

“Quem sabe um gesto humanitário não seria bom até para o próprio Irã, para a posição que ele tem no mundo”, disse o ministro, logo após participar de evento, no Rio de Janeiro.

A previsão é de que a iraniana seja executada ainda nesta semana, mas ainda não se sabe se o governo manterá o método inicialmente previsto, de apedrejamento, ou se Sakineh, de 43 anos e dois filhos, será enforcada.

O governo brasileiro chegou a formalizar a Teerã uma proposta de asilo à iraniana, mas o Itamaraty ainda não recebeu uma resposta formal sobre a oferta.

‘Generosidade’

Na avaliação de Amorim, as autoridades iranianas revelaram “generosidade” na libertação de uma estudante francesa, durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Teerã, em maio.

“Da mesma maneira que as autoridades iranianas revelaram generosidade no caso daquela prisioneira francesa que foi libertada... Eu sei que é diferente, que esse (caso da Sakineh) é de uma é nacional iraniana, mas quem sabe”, disse o ministro.

“Temos interesse em ajudar que se resolvam os problemas relativos ao Irã”, disse ainda Amorim, mencionando também as negociações com Teerã sobre seu programa nuclear.

Sakineh Ashtiani está presa desde 2005. No ano seguinte, foi condenada por adultério e submetida a 99 chibatadas por manter relações “ilícitas” com dois homens.

Logo depois, ela foi também acusada de ter relações “extraconjugais”, cuja pena é o apedrejamento. De acordo com a legislação iraniana, uma forma de salvá-la da pena de morte seria com o perdão da família do ex-marido.

Segundo a Anistia Internacional, organização de defesa dos direitos humanos, o Irã tem um dos maiores índices de execução do mundo. No ano passado, mais de 388 pessoas foram julgadas e mortas pela Justiça – cerca de 14 delas de forma pública, de acordo com a ONG.

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