Iraque não está pronto para retirada americana, diz general

General Babaker Zerbari
Image caption General Babaker Zerbari disse que problema vai começar 'depois de 2011'

O mais graduado oficial do Exército iraquiano afirmou nesta quinta-feira que a retirada militar americana do país, planejada para o fim do ano que vem, é prematura.

O general Babaker Zebari alertou que o Exército iraquiano poderá não estar pronto para assumir a segurança do país por mais uma década.

Os Estados Unidos afirmam que cumprirão o cronograma para pôr fim às operações de combate no país até o fim deste mês, e para a retirada de todas as tropas até o fim do ano que vem.

Os EUA mantêm 64 mil soldados no Iraque. Cerca de 50 mil permanecerão no país até o fim de 2011 para treinar as forças iraquianas e proteger os interesses americanos.

Zerbari fez o alerta poucos dias depois de o ex-ministro do Exterior de Saddam Hussein Tariq Aziz ter dito que os americanos estão “deixando o Iraque para os lobos”.

A Casa Branca afirma que o presidente Barack Obama está satisfeito com os progressos no Iraque, que, segundo ele, vão permitir às tropas americanas transferir a segurança para as forças locais, conforme planejado.

‘Vácuo’ de segurança

O general Zerbari disse em uma coletiva de imprensa em Bagdá que o Exército iraquiano não conseguirá garantir a segurança no país até 2020 e que os Estados Unidos deveriam manter suas tropas no Iraque até esta data.

Neste momento, a retirada (das forças americanas) vai bem, porque eles ainda estão aqui, mas o problema vai começar depois de 2011”, disse ele.

“Os políticos precisam encontrar outras maneiras de preencher o vácuo até 2011... se me perguntassem sobre a retirada, eu diria aos políticos: os Estados Unidos têm que ficar até o Exército estar totalmente pronto, em 2020.”

A violência no Iraque diminuiu desde o auge da guerra sectária entre 2006 e 2007, mas o número de civis mortos em bombardeios, tiroteios e outros ataques diários aumentou agudamente em julho.

Os comentários do general contradizem a política do governo – de se ater ao Acordo do Estado das Forças (Sofa, na sigla em inglês), que determina o cronograma para a retirada americana, afirma o correspondente da BBC em Bagdá Hugh Sykes.

Os iraquianos temem que o governo americano esteja acelerando a retirada porque o Partido Democrata, de Obama, estaria com medo de perder votos nas eleições legislativas de novembro, afirma Sykes.

O general estaria particularmente preocupado com a segurança nas fronteiras iraquianas por causa da entrada de insurgentes, diz o correspondente da BBC.

Na quarta-feira, oito soldados iraquianos foram mortos depois de serem atraídos para uma casa cheia de explosivos em uma cidade ao norte de Bagdá, onde a al-Qaeda é ativa.

O grupo também foi responsabilizado por um atentado triplo contra um mercado em Basra, no sábado.

‘Melhoras significativas’

Na quarta-feira, o porta-voz da Casa Branca Robert Gibbs atribuiu o recente aumento no número de ataques ao mês sagrado do Ramadã, que no passado já coincidiu com picos de atividade dos insurgentes.

“Continuamos a antecipar... um tradicional aumento da violência na época do Ramadã e que esses (insurgentes) que restaram tentem chamar a atenção”, disse ele em Washington.

Gibbs avaliou positivamente a situação no Iraque, com base em relatos do general Ray Odierno, comandante americano no país, ao presidente Barack Obama.

“Já retiramos mais de 80 mil soldados do Iraque desde que Obama assumiu o governo”, disse Gibbs.

O general Odierno também afirmou que a situação de segurança mantém as melhorias significativas alcançadas nos últimos dois anos, e que as forças de segurança iraquianas estão totalmente preparadas para assumir a liderança quando terminarmos nossa missão de combate no fim deste mês.”

Só em agosto, mais de 100 pessoas morreram em ataques no país. Julho foi o mês com o maior número de vítimas fatais desde 2008.

O Iraque também se arrasta com um impasse político de cinco meses, depois que a eleição parlamentar de março não apontou um claro vencedor.

Apesar dos desafios, o congressista democrata Adam Smith, membro do Comitê das Forças Armadas Americanas, disse que os EUA estão certos em se retirar.

“O Iraque não vai ficar 100% estável por um bom tempo, mas uma presença militar estrangeira dos Estados Unidos não vai forçar a estabilidade sobre os iraquianos. Eles terão que se levantar e reclamá-la por si mesmos.”

Ele disse ainda que sempre haverá riscos, independentemente de quando as tropas americanas se retirarem do Iraque.

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