Honduras nomeia embaixador para buscar reconhecimento na Unasul

O presidente de Honduras, Porfirio Lobo, durante visita à Colômbia (AFP, 6 de agosto)
Image caption Brasil está entre os países que não reconhecem governo de Lobo

O presidente de Honduras, Porfirio “Pepe” Lobo, confirmou nesta semana a escolha do diplomata Jorge Arturo Reina para a missão de buscar o reconhecimento de seu governo junto a países da União das Nações Sul-Americanas, a Unasul.

Ex-representante hondurenho na Organização das Nações Unidas (ONU), Reina é considerado um político com boa articulação na região, sobretudo com os Estados Unidos.

O diplomata foi apontado para o cargo de “embaixador” de Honduras nos países da Unasul, embora o país não faça parte do grupo. Seu trabalho, na prática, será o de ser o interlocutor junto aos os países-membros, entre eles Brasil, Venezuela e Argentina.

Os três países estão entre aqueles que ainda não reconheceram o governo de Pepe Lobo, eleito em novembro do ano passado após uma série crise política que começou com a destituição do então presidente, Manuel Zelaya, em junho do mesmo ano.

Em Honduras, a escolha de Reina para o cargo foi recebida com surpresa, já que o diplomata não só trabalhou no governo de Zelaya, como também foi um dos principais críticos de sua destituição.

Estratégia

Diplomatas avaliam que a nomeação faz parte da estratégia de Pepe Lobo para “reconquistar” a confiança em Honduras, com “sinais positivos” aos países da região.

Interpretada como golpe, a deposição de Zelaya foi amplamente condenada pela comunidade internacional, mas desde a vitória de Lobo, diversos países vêm retomando as relações diplomáticas com Tegucigalpa.

Estados Unidos, União Europeia e praticamente toda a América Central já aceitam Lobo como presidente legítimo de Honduras.

Nas últimas semanas, foi a vez de México e Chile anunciarem a normalização das relações com o governo eleito.

Já a maior parte dos países da Unasul reluta em reconhecer o governo de Lobo. O argumento principal é de que Zelaya foi destituído ilegalmente e que, por esse motivo, o ex-presidente precisa ser totalmente anistiado pela justiça hondurenha.

Além disso, esses países defendem que a região já tem um histórico de “abusos políticos” e que a destituição de Zelaya, se aceita, poderá deixar um “mau exemplo”.

Até o momento, a Justiça hondurenha já engavetou cinco das seis acusações contra Zelaya, que atualmente vive na República Dominicana.

Enquanto a última acusação não é reconsiderada, caberá a Reina a tarefa de convencer estes países a rever sua posição. Ainda segundo a chanceleria hondurenha, o novo embaixador terá a tarefa de mostrar à comunidade latina as “ações” do país em defesa da democracia.

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