Karzai ordena saída de empresas privadas de segurança no Afeganistão

Seguranças de empresa privada fazem guarda no Afeganistão
Image caption Seguranças de empresas privadas circulam pelo Afeganistão

O presidente afegão, Hamid Karzai, baixou nesta terça-feira um decreto determinando que empresas de segurança internacionais operando no Afeganistão deixem o país dentro de quatro meses.

De acordo com o decreto, a decisão visa “fornecer melhor segurança para as vidas e propriedades dos cidadãos, combater a corrupção, prevenir irregularidades e o mau uso de armas, uniformes militares e equipamentos”.

Karzai disse que as companhias, que frequentemente recebem contratos lucrativos das forças internacionais que ocupam o Afeganistão, operam como um "governo paralelo" e são responsáveis por episódios de violência.

A proposta prevê também que empresas domésticas de segurança sejam absorvidas pela polícia afegã.

Sem uniforme ou supervisão

Existem atualmente 52 companhias de segurança internacionais ou nacionais registradas no país e muitas outras sem registro. Seus homens circulam por áreas do país, muitas vezes sem uniformes ou qualquer tipo de supervisão.

As empresas vêm sendo responsabilizadas por várias mortes de civis.

Em julho último, funcionários da empresa americana Dynocorps, por exemplo, bateram seu carro em uma rua de Cabul e mataram quatro pessoas.

Segundo o correspondente da BBC em Cabul Quentin Somerville, o plano prevê que o governo afegão compre as armas das empresas estrangeiras de segurança ou que as companhias levem suas armas para seus países de origem.

O Exército e a polícia afegãos, no entanto, não são capazes de operar independentemente em várias regiões sem a supervisão da força militar internacional liderada pelos Estados Unidos no país, diz o correspondente.

Embaixadas e organizações de ajuda terão permissão de usar segurança privada, desde que os seguranças não saiam dos prédios que abrigam as entidades.

A segurança externa ficará a cargo do já sobrecarregado governo afegão.

Críticas

Os Estados Unidos já declararam que considera as propostas impraticáveis.

Segundo cálculos do Congresso americano, empresas privadas de segurança respondem por 30% das forças armadas no país.

Elas oferecem proteção a várias rotas de suprimentos usadas por militares afegãos e estrangeiros.

A força militar internacional no país alega que não tem homens suficientes para substituir as equipes.

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