Ex-soldado israelense pede desculpas por fotos com presos palestinos no Facebook

Image caption Eden Aberjil já retirou as fotos de sua página no site Facebook.

A ex-soldado israelense que postou fotos suas com prisioneiros palestinos vendados e algemados no Facebook pediu desculpas nesta terça-feira.

Eden Abarjil afirmou que "não tinha intenção de ofender ninguém". Ela foi a público depois que as fotos, consideradas humilhantes, geraram uma onda de indignação em Israel e no mundo.

Abarjil, de 22 anos, mora na cidade de Ashdod, no sul de Israel, e concluiu o serviço militar obrigatório há um ano.

Ao publicar suas fotos, sorrindo ao lado dos presos, em sua página do Facebook, a ex-soldado também escreveu que o período que passou no Exército foi "o mais bonito da sua vida".

Durante os dois anos que serviu no Exército, Abarjil esteve posicionada no comando do sul do país, na fronteira da Faixa de Gaza, região de tensão permanente.

Ameaças de morte

A ex-soldado relatou ao site de noticias do jornal Maariv que, desde a publicação das fotos nos grandes veículos de comunicação tem recebido ameaças de morte. Ela diz não entender "como um ato inocente se transformou numa história tão grande".

Abarjil disse que tinha postado as fotos para compartilhar suas experiências no Exército com suas amigas.

"Peço desculpas, não tinha intenção de ofender ninguém... levei comida e bebida para aqueles prisioneiros", acrescentou.

Ela também reclamou da atitude do Exército desde que a história foi divulgada e disse que foi tratada de maneira "nojenta" pelos militares.

"Fui uma soldado modelo, estava disposta a morrer pelo Exército, sofria (com o lançamento de) mais de 20 Kassam (foguetes palestinos) por dia e me tratam dessa maneira?", se queixou.

'Ato grosseiro'

O porta-voz do Exército disse que o ato de Abarjil foi "grosseiro e vergonhoso" e que o assunto será investigado.

O grupo de soldados da reserva Breaking the Silence (Quebrando o Silêncio) disse ao jornal Haaretz que os atos de Abarjil "são apenas mais um sintoma da doença que os israelenses tentam recalcar".

"Em vez de ficar surpresa a cada vez que isso acontece, a sociedade israelense deveria entender que esse tipo de foto é resultado da ocupação", afirmou o grupo.

De acordo com Ishai Menuhin, presidente da Comissão Publica contra a Tortura, "as duras fotos expressam uma norma de tratamento dos palestinos como se fossem objetos e não seres humanos".

O departamento de comunicação da Autoridade Palestina declarou que as fotos de Abarjil "demonstram a mentalidade do ocupante, que se orgulha de humilhar os palestinos".

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