Netanyahu diz querer ‘surpreender céticos’ em negociações com palestinos

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, durante reunião de seu gabinete neste domingo (AP, 22 de agosto)
Image caption Primeiro-ministro de Israel afirma que acordo é 'difícil, mas possível'

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, afirmou neste domingo que a obtenção de um acordo de paz com os palestinos é “difícil, mas possível” e que ele pretende “surpreender os céticos” em relação às negociações diretas que terão início no começo de setembro.

Durante uma reunião de seu gabinete neste domingo, Netanyahu afirmou que entre os pré-requisitos para a obtenção de um acordo está o reconhecimento por parte dos palestinos de “Israel como o Estado nacional do povo judeu”.

O anúncio da retomada das negociações diretas entre as partes, que haviam sido interrompidas em 2008, foi feito na última sexta-feira pela secretária de Estado americana, Hillary Clinton.

Leia também na BBC Brasil: EUA anunciam negociações diretas entre Israel e palestinos

Neste domingo, Netanyahu afirmou que um eventual Estado palestino que surja das negociações terá que ser desmilitarizado.

“Nós estamos falando em um acordo de paz entre Israel e um Estado palestino desmilitarizado, e este Estado, se estabelecido no final do processo (...) deve acabar com o conflito, e não ser a fundação de sua continuidade (do conflito) por outros meios”.

“Eu sei que há muito ceticismo após os 17 anos que se passaram desde o início do processo (de paz) de Oslo”, afirmou Netanyahu.

“(Mas) nós buscamos surpreender os críticos e os céticos”.

Negociações

Tanto Netanyahu quanto o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, foram convidados para as negociações que terão início no próximo dia 2 de setembro em Washington e que serão mediadas pelos Estados Unidos.

Eles concordaram com um cronograma que prevê um ano de negociações.

Analistas, no entanto, avaliam que as perspectivas de que um acordo amplo saia das negociações são pequenas, já que há divergências sérias em pontos como os assentamentos judaicos, o status de Jerusalém, a questão dos refugiados e as fronteiras de um futuro Estado Palestino.

O presidente dos EUA, Barack Obama, também convidou para as negociações o presidente do Egito, Hosni Mubarak, e os rei Abdullah, da Jordânia.

O ex-primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Tony Blair, representante especial do Quarteto – grupo formado por EUA, Nações Unidas, União Europeia e Rússia – também foi convidado.

O anúncio da retomada das negociações foi feito após meses de gestões do enviado especial dos EUA para o Oriente Médio, George Mitchell, com Netanyahu e Abbas.

O presidente palestino havia interrompido as negociações com o então premiê israelense, Ehud Olmert, no final de 2008 e todos os contatos entre as parte foram congelados após a ofensiva de Israel contra o grupo militante palestino Hamas na Faixa de Gaza, em dezembro deste mesmo ano.

Os contados indiretos foram retomados em maio, sob a mediação de Mitchell.

Abbas, no entanto, vinha resistindo à insistência dos EUA para retomar as negociações diretas, afirmando querer garantias de que o futuro Estado palestino seria baseado nas fronteiras anteriores a 1967 e de que todas as construções em assentamentos na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental seriam interrompidas imediatamente.

Forças Armadas

Também neste domingo, o ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, nomeou o general Yoav Galant como futuro chefe do Estado-Maior das Forças Armadas.

Ele deve suceder o atual chefe do Estado-Maior, general Gabi Ashkenazi, que deve deixar o cargo no início do ano que vem.

Chefe do Comando Sul do Exército israelense, Galant comandou a ofensiva israelense em Gaza.

A indicação de seu nome deve ser formalmente aprovada pelo governo na próxima semana.

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