Paquistão busca conter doenças causadas por cheias

Vítimas das cheias no Paquistão/Reuters
Image caption Milhões podem contrair doenças por causa das águas no Paquistão

O primeiro-ministro do Paquistão, Yousuf Raza Gilani, convocou um encontro de emergência entre representantes do governo e de agências humanitárias para coordenar os esforços de combate a doenças causadas pelas cheias que atingem o país há semanas.

A ONU alertou para a possibilidade de que mais de 3,5 milhões de crianças podem contrair doenças mortais como o cólera a menos que tenham acesso a água potável.

As piores cheias em décadas no Paquistão mataram pelo menos 1,6 mil pessoas além de afetar mais de 20 milhões de pessoas, dos quais 4 milhões tornaram-se desabrigados.

Calcula-se que um quinto do país tenha sido afetado pelas águas.

Economia

O Fundo Monetário Internacional disse que, por causa das cheias, vai revisar o orçamento e as perspectivas econômicas do Paquistão.

Representantes do órgão e do governo paquistanês devem reunir-se nesta segunda-feira em Washington para traçar planos para a recuperação das finanças do país.

"A escala da tragédia significa que o orçamento do país e suas perspectivas macroeconômicas, que são apoiadas pelo FMI, precisam ser revisadas", disse o diretor do departamento de Oriente Médio e Ásia Central do FMI, Masood Ahmed.

Ele disse que o FMI ficará ao lado do Paquistão "neste momento difícil".

O governo paquistanês diz ter calculado o custo de reconstrução do país em cerca de US$ 15 bilhões.

O correspondente da BBC em Islamabad Mike Wooldridge diz que o país enfrenta a perspectiva de aumento da inflação e baixo crescimento, por causa da interrupção da produção agrícola e pecuária, causada pelas cheias.

Animais

O órgão da ONU para a Alimentação e a Agricultura (FAO) disse que milhões de animais necessitam urgentemente de remédios e alimentos.

A criação de animais corresponde a cerca de metade do PIB agrícola paquistanês.

"Cada animal que salvamos é um bem produtivo que famílias pobres podem usar para reconstruir suas vidas quando as cheias terminarem", disse David Doolan, oficial da FAO encarregados de projetos no Paquistão.

Já foram contabilizados mais de 200 mil animais mortos ou desaparecidos, mas o número deve ser bem maior, provavelmente na casa dos milhões.

A FAO diz que o Paquistão precisa assegurar a sobrevivência dos animais restantes para não por em risco a continuidade de seus rebanhos.

As cheias atingiram a principio o norte do país, mas atualmente a província sulista de Sindh é considerada a mais afetada.

Apenas 10% dos que tiveram que deixar suas casas encontram vagas em campos de desabrigados.

A ONU diz ter arrecadado 70% dos US$ 460 milhões que pediu a doadores internacionais para lidar com a crise.

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