Acidente na China foi o primeiro de um jato da Embraer com mortes

Destroços do avião da Henan Airlines
Image caption Avião pegou fogo após cair perto da pista do aeroporto de Yichun

O acidente com o avião da Henan Airlines, que deixou ao menos 42 mortos na terça-feira na China, foi o primeiro envolvendo jatos fabricados pela Embraer com vítimas fatais.

O modelo do avião acidentado no aeroporto de Yichun, no norte da China, o Embraer 190, faz parte de uma família de jatos fabricada pela companhia brasileira com capacidade para entre 70 e 120 passageiros, em média.

Os primeiros aviões dessa família de jatos começaram a operar em 2004.

Segundo a própria companhia, há em operação atualmente no mundo 650 aviões desse grupo, em 39 países, com 4,5 milhões de horas acumuladas de voo.

Famílias

De acordo com informações do banco de dados da fundação americana Flight Safety, dedicada a coletar dados sobre todos os acidentes e incidentes aéreos em todo o mundo, há registro de apenas três acidentes envolvendo aviões desse grupo.

Além do acidente da terça-feira na China, há apenas o registro de um Embraer 170 que saiu da pista no pouso sob a neve em Cleveland, nos Estados Unidos, em fevereiro de 2007, e de um Embraer 190 que saiu da pista após o pouso em Santa Maria, na Colômbia, em julho do mesmo ano.

Nenhum dos dois deixou vítimas.

A Flight Safety registra dez acidentes com aeronaves da família anterior de jatos da Embraer, ERJ-135/140/145, com capacidade média para 50 passageiros, entre 1998 e 2010, todos sem vítimas.

Segundo a Embraer, há 885 aviões dessa família em operação no mundo, com mais de 17 milhões de horas de voo acumuladas.

Lula

Duas companhias chinesas operam com aviões da Embraer. Além da Henan Airlines, que tinha, antes do acidente, cinco aeronaves Embraer 190, a Tianjin Airlines tem 26 aviões da companhia brasileira e ainda aguarda a entrega de mais 24.

A Henan, que até o ano passado se chamava Kunpeng Airlines, chegou a fazer o pedido de 50 aeronaves Embraer 190 em 2007, em um contrato de US$ 2 bilhões, mas suspendeu a compra posteriormente, supostamente pela falta de licenças de importação concedidas pelas autoridades chinesas.

O contrato para a venda dos aviões à Kunpeng/Henan chegou a ser objeto de discussão entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente chinês, Hu Jintao, durante a última visita do presidente brasileiro à China, em maio do ano passado.

O próprio Lula conhece bem o modelo Embraer 190, já que a Presidência do Brasil tem desde 2008 dois aviões desse modelo, utilizados para o transporte presidencial em viagens de curta e média distâncias.

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