Vice-cônsul confirma que brasileiros morreram em chacina no México

Exército no México
Image caption Violência do tráfico no México já matou 28 mil pessoas em quatro anos

O vice-cônsul brasileiro na Cidade do México, João Batista Zaidan, confirmou nesta quarta-feira que há brasileiros entre as 72 vítimas de uma chacina em uma fazenda no Estado de Tamaulipas, no nordeste do país, perto da fronteira com os Estados Unidos.

Segundo ele, representantes do consulado estão seguindo para a região para verificar o que ocorreu e só então será possível saber quando brasileiros morreram no incidente.

Em uma coletiva, autoridades mexicanas informaram que todos os assassinados eram imigrantes ilegais e que, além do Brasil, há cidadãos de Equador, El Salvador e Honduras entre as vítimas. Eles também disseram que as embaixadas estão sendo avisadas.

O vice-almirante da Marinha mexicana, José Luis Vergara, informou que um sobrevivente da chacina, que está ferido, informou que atiradores que se identificaram como Zetas o sequestraram junto com outros imigrantes e os levaram para a fazenda em San Fernando, uma cidade ao sul de Brownsville, no Estado americano do Texas.

Os corpos foram encontrados depois que militares trocaram tiros com homens, suspeitos de pertencer a um cartel do tráfico de drogas. Três atiradores e um militar foram mortos no tiroteio.

Foram encontrados corpos de 58 homens e 14 mulheres.

Nos últimos quatro anos, mais de 28 mil pessoas já morreram no México em consequência da guerra contra o narcotráfico.

Armas e caminhões

O tiroteio ocorreu depois que um homem ferido apareceu em um posto de controle da Marinha mexicana. Ele dizia ter sido atacado por atiradores de um cartel de traficantes em uma fazenda próxima a San Fernando.

Soldados invadiram o local em seguida, em uma operação que incluiu um ataque aéreo. Uma pessoa foi presa, segundo informações dos militares.

Os corpos foram encontrados enquanto eles faziam buscas no lugar. Também foram achados armas, munições e uniformes. Quatro caminhões também foram apreendidos, um deles com placa clonada do ministério da Defesa.

A descoberta da vala comum está entre as maiores do tipo no México. As autoridades ainda não sabem há quanto tempo os corpos estavam ali.

O Estado de Tamaulipas é um dos mais afetados pela violência do narcotráfico, e é palco de uma disputa entre os cartéis de Zeta e do Golfo, acusados de abastecer o mercado de drogas dos Estados Unidos.

Após a descoberta dos corpos, a Marinha mexicana divulgou nota condenando "atos bárbaros cometidos por organizações criminosas".

"A sociedade como um todo deveria condenar estes atos, que ilustram a necessidade total de se continuar combatendo o crime com rigor", afirma a nota.

Nos últimos meses, várias valas comuns têm sido descobertas no México. Em junho, a polícia encontrou 55 corpos em uma mina abandonada próximo à cidade de Taxco, no Estado de Guerrer.

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