Enchentes no Paquistão expulsaram um milhão em 48 horas, diz ONU

Enchente no Paquistão
Image caption Depois do norte, o sul do Paquistão sofre com as cheias

Novas enchentes no sul do Paquistão levaram a retirada de quase um milhão de pessoas nas últimas 48 horas, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU).

Na província de Sindh, a mais atingida, 70% dos 300 mil moradores da cidade de Thatta tiveram que abandonar suas casas e ir para áreas mais seguras depois que o rio Indus transbordou.

Um porta-voz do Escritório para a Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU (Ocha, na sigla em inglês) em Islamabad, afirmou que o um milhão de pessoas retiradas de suas casas são desta única província.

"A magnitude da crise está chegando a níveis que estão além de nossos temores iniciais", afirmou Maurizio Giuliano nesta sexta-feira.

"O número de afetados e daqueles que precisam de assistência da ONU deve continuar subindo. As enchentes parecem determinadas a superar nossos esforços. Cerca de um mês desde o início das inundações e ainda não sabemos quando veremos o fim, pois o desastre ainda está acontecendo", acrescentou.

Ainda na noite de quinta-feira, as autoridades paquistanesas deram ordens para que os moradores deixassem várias cidades e vilarejos no sul do país .

O ministro da Informação, Qamar Zaman Kaira, afirmou que áreas mais baixas da província de Sindh vão permanecer inundadas por, pelo menos, duas semanas. Dos 23 distritos da província, 19 foram muito afetados pelas enchentes.

"O dique nos arredores da cidade de Thatta rompeu e isto cria muitas dificuldades", informou o ministro a jornalistas em Islamabad nesta sexta-feira.

Engenheiros agora tentam reparar a brecha de seis metros que se abriu no dique, antes que o centro de Thatta seja completamente inundado.

O Exército e a Marinha do país participaram da operação de evacuação de mais de 200 mil pessoas da cidade, que fica a 70 quilômetros a leste de Karachi.

As cidades em volta, Sujawal, Mir Pur Batoro e Daro, com um total de 400 mil habitantes, já tiveram seus moradores retirados.

Norte

As enchentes ocorrem na época das chuvas de monção e começaram na região norte, montanhosa. Agora estão alcançando o sul do Paquistão, destruindo 1,2 milhão de casas e danificando 3,2 milhões de hectares de terras cultiváveis, cerca de 14% das terras cultiváveis do país.

O governo paquistanês já confirmou que 1,6 mil pessoas morreram, mas as autoridades afirmam que milhões estão correndo riscos devido a doenças e falta de alimentos e água. E o número de mortos também pode aumentar à medida que as águas da inundação recuam.

No norte do país as águas da enchente começaram a recuar, revelando toda a extensão dos danos causados pelo desastre que já afetou 17 milhões de pessoas no Paquistão.

A correspondente da BBC na região Jill McGivering, sobrevoou a região do vale de Swat nesta sexta-feira em um helicóptero militar dos Estados Unidos que entregava ajuda e observou que todas as pontes do vale desapareceram, o mercado estava em ruínas e centenas de hotéis na cidade de Kalam, um ponto turístico popular, foram destruídos ou parcialmente danificados.

As pessoas tentavam sem muito sucesso reconstruir algumas pontes, pois a cidade está sem ligação com outras regiões já que, junto com as pontes, estradas também foram destruídas.

Cerca de US$ 325 milhões dos US$ 459 que a ONU tenta conseguir para ajudar o Paquistão já foram prometidos ou entregues por doadores estrangeiros. Outros US$ 600 milhões foram fornecidos ou prometidos fora do pedido da ONU, de acordo com informações de quinta-feira do coordenador de operações de emergência da organização, John Holmes.

O Fundo Monetário Internacional (FMI), que tem um programa de empréstimo de US$ 11 bilhões para Paquistão, afirmou que o grupo está "analisando todas as opções" para ajudar.

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