Bombas ferem 17 em Estado mexicano onde ocorreu chacina

Ferido é colocado em ambulância depois de ataques em Reynosa
Image caption Polícia afirma que ataques podem ser do cartel Los Zetas

Uma série de ataques com bombas atingiu o Estado de Tamaulipas, nordeste do México, onde 72 imigrantes latino-americanos foram mortos a tiros em uma fazenda.

Quatro dispositivos explodiram na região num intervalo de apenas 24 horas deixando 17 feridos.

As explosões pareciam ter como alvo locais ligados a investigação das mortes dos 72 imigrantes e, de acordo com correspondentes, a aparência é de que criminosos estão tentando paralisar os trabalhos para recolhimento de provas dos crimes.

Três bombas caseiras explodiram no sábado na cidade de Reynosa, onde fica a fazenda na qual os 72 corpos foram encontrados.

Uma das bombas explodiu perto de uma igreja onde ocorria uma missa em homenagem às vítimas.

Segundo o repórter da BBC Greg Morsbach, quando as pessoas se reuniam para a missa, ouviram a explosão.

Outras duas bombas foram detonadas perto do necrotério onde especialistas tentam identificar os imigrantes.

A explosão feriu um policial e um civil além de ter destruído uma guarita em frente ao prédio.

De acordo com Morsbach, no último ataque, um homem foi visto atirando uma granada contra uma delegacia de polícia, que ficou muito danificada.

Ainda na sexta-feira, outras duas bombas explodiram na capital do Estado de Tamaulipas, Ciudad Victoria, tendo como alvo a sede de um canal de televisão e os escritórios da autoridade responsável pelos transportes. Ninguém ficou ferido.

Los Zetas

A polícia afirma que os ataques tem todas as marcas registradas de ataques realizados pelo grupo de narcotraficantes Los Zetas, um dos cartéis mais violentos do México e apontado como o responsável pelas mortes dos imigrantes.

Até o momento, as autoridades mexicanas conseguiram identificar apenas 31 entre os 72 mortos. De acordo com a Procuradoria Geral de Justiça do México, foram identificados um brasileiro, 14 hondurenhos, 12 salvadorenhos e quatro guatemaltecos.

As autoridades mexicanas também encontraram o passaporte de um brasileiro entre os objetos das vítimas. E, no sábado, o Itamaraty divulgou o nome do brasileiro identificado e o nome que consta no documento encontrado.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores, o corpo do brasileiro Juliard Aires Fernandes, de 20 anos, foi identificado entre as vítimas. Os documentos de Hermínio Cardoso dos Santos, de 24 anos, foram encontrados na fazenda em Reynosa, onde ocorreu o massacre. No entanto, o corpo desta segunda vítima ainda não foi identificado.

Um sobrevivente da chacina, o equatoriano identificado apenas como Freddy, afirmou à polícia que os 58 homens e 14 mulheres estavam tentando ir para os Estados Unidos quando foram sequestrados pelo grupo de criminosos e mortos a tiros quando se recusaram a trabalhar para eles.

O sobrevivente está sob proteção em um hospital militar da Cidade do México. No entanto, um promotor que liderava a investigação sobre as mortes está desaparecido desde a quarta-feira.

Promotores mexicanos afirmam que temem pela segurança do promotor Roberto Suarez desapareceu junto com um policial que o acompanhava.

Notícias relacionadas