Militantes em Gaza ameaçam Israel com novos ataques

Militantes do Hamas
Image caption Hamas não descarta atentados suicidas

Grupos militantes da Faixa de Gaza prometeram aumentar os ataques contra alvos israelenses, depois da retomada do diálogo direto entre líderes palestinos e israelenses.

Um porta-voz do Hamas afirmou que 13 grupos uniram forças para lançar "ataques mais efetivos".

Em Israel, ativistas de extrema-direita também condenaram as negociações, que foram lançadas nesta semana em Washington, nos EUA.

Mais cedo, o enviado americano para o Oriente Médio, George Mitchell, disse que as negociações entre o premiê israelense Binyamin Netanyahu e o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, foram construtivas.

O encontro no Departamento de Estado americano, em Washington, foi patrocinado pelo presidente dos EUA, Barack Obama, que deu aos dois lados o prazo de um ano para que se chegue a um acordo.

As delegações israelense e palestina concordaram em se encontrar novamente em duas semanas, no Oriente Médio.

'Todas as opções abertas'

Abu Ubaida, porta-voz do braço militar do Hamas, afirmou que 13 grupos militantes palestinos - entre eles o Jihad Islâmico e os Comitês de Resistência Popular - se reuniram na Cidade de Gaza, na quinta-feira.

"Declaramos que as ações de resistência entraram em um novo e avançado estágio de cooperação no campo nos mais altos níveis em preparações para ataques mais efetivos contra o inimigo (Israel)", disse Ubaida, segundo informações da Reuters.

Quando jornalistas perguntaram se esses ataques incluem atentados suicidas, ele respondeu: "Todas as opções estão abertas".

Mais cedo nesta semana, o braço armado do Hamas assumiu a responsabilidade por dois ataques que mataram quatro colonos israelenses e deixaram outros dois feridos na Cisjordânia.

O Hamas, que detém o controle da Faixa de Gaza, é rival da facção Fatah, de Mahmoud Abbas, que governa a Cisjordânia.

Desde o ano 2000, o Hamas foi responsável por dezenas de ataques suicidas contra Israel.

Segundo o correspondente da BBC em Jerusalém Wyre Davies, também houve reações negativas ao início das negociações entre Netanyahu e Abbas em Israel.

Alguns ativistas de extrema-direita condenaram Netanyahu por chamar os palestinos de seus parceiros na paz.

Membros da própria coalizão governada por Netanyahu afirmaram que o diálogo não vai levar a nada porque o governo Israel não fará concessões em questões como a dos assentamentos israelenses nos territórios palestinos ocupados, afirma Davies.

‘Oportunidade’

Abrindo o encontro, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, afirmou que Netanyahu e Abbas têm a "oportunidade de encerrar este conflito".

Clinton afirmou que os Estados Unidos "prometeram seu apoio total para estas negociações e nós seremos um parceiro ativo", mas, a secretária acrescentou que o governo americano não vai impor uma solução.

"As questões mais importantes no centro destas negociações, território, segurança, Jerusalém, refugiados, assentamentos e outras, não vão ficar mais fáceis se esperarmos, nem vão se resolver sozinhas", afirmou.

Logo depois do pronunciamento de Clinton, os dois líderes reconheceram as dificuldades que terão que enfrentar.

"Sabemos como são difíceis as barreiras e obstáculos que enfrentaremos durante estas negociações - negociações que, dentro de um ano, deverão resultar em um acordo que trará a paz", afirmou Mahmoud Abbas.

"Pedimos ao governo israelense que siga em frente com seu compromisso de encerrar todas as atividades de (construção de) assentamentos e suspender completamente o bloqueio à Faixa de Gaza", acrescentou o líder palestino.

No entanto, para Netanyahu, "a paz genuína deve levar em conta as necessidades de segurança de Israel".

"Não será fácil", disse Netanyahu. "Paz verdadeira, paz duradoura, será alcançada apenas com concessões mútuas e dolorosas, de ambas as partes."

O editor da BBC para o Oriente Médio Jeremy Bowen disse que, se estas negociações fracassarem, será ainda mais difícil retomá-las na próxima vez.

Leia mais na BBC Brasil: Hamas desafia legitimidade de Abbas e ameaça mais atentados

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