Ao menos 17 morrem em 3º atentado no Paquistão em uma semana

Local de atentado no noroeste do Paquistão
Image caption Telebã avisou governo de que presença estrangeira não é aceitável

Autoridades no Paquistão dizem que pelo menos 17 pessoas morreram no terceiro ataque suicida realizado no país no período de uma semana.

Segundo relatos, crianças estariam entre os mortos.

Cerca de 28 pessoas ficaram feridas durante o ataque, ocorrido em uma delegacia de polícia na cidade de Lakki Marwat, na região de Khyber, ao sul de Peshawar.

Testemunhas disseram à BBC que o homem-bomba dirigiu um carro cheio de explosivos contra a delegacia, destruindo o prédio.

Na semana passada, ataques contra muçulmanos xiitas em Quetta e Lahore mataram quase cem pessoas.

O talebã paquistanês assumiu a autoria dos atentados, aumentando temores de que os militantes se aproveitem da crise provocada pelas inundações no país para criar mais violência.

Aviso

Há duas semanas, um porta-voz do grupo Tehrik-e Taliban, Azam Tariq, disse acreditar que os Estados Unidos e outros países não estavam interessados apenas em oferecer ajuda às vítimas das inundações, mas que teriam outras intenções.

O porta-voz disse na ocasião que a presença desse grande número de funcionários de agências humanitárias estrangeiras no Paquistão não era aceitável para o Talebã.

A correspondente da BBC em Islamabad, Jill McGivering, disse que a interpretação das autoridades em Washington é de que a ameaça é séria.

O Tehrik-e Taliban, instalado na região tribal próxima da fronteira com o Afeganistão, é o grupo militante mais radical e violento do Paquistão.

Ele tem sido associado, nos últimos anos, a uma série de ataques contra o Estado paquistanês e contra estrangeiros, e tem vínculos fortes com a organização Al-Qaeda.

Nos últimos seis meses, os índices de violência militante haviam diminuído, mas desde que a crise das inundações teve início, o Talebã paquistanês tem dado avisos para que as autoridades não aceitem a ajuda internacional.

Seus líderes consideram a assistência estrangeira e a presença de funcionários de ONGs internacionais uma interferência em seu país.

As ameaças são mais um obstáculo ao trabalho das entidades de ajuda, às voltas com enormes problemas logísticos enquanto tentam aliviar a crise devastadora que assola o Paquistão, disse a correspondente da BBC.

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