Novas enchentes forçam centenas de milhares a abandonarem cidades no Paquistão

Soldados ajudam vítimas das enchentes na província de Sindh, Paquistão
Image caption Soldados ajudam vítimas das enchentes na província de Sindh, Paquistão

Novas enchentes levaram centenas de milhares de pessoas a abandonarem mais cidades da província de Sindh, no sul do Paquistão.

A água invadiu o distrito de Dadu depois do rompimento da represa de Toori, no norte da região, que já tinha sido muito castigada pelas cheias, e 350 mil pessoas estão abandonando a área.

A represa de Toori foi atingida pelas inundações em agosto, o que dividiu o fluxo de água do rio Indus em dois. Uma parte do rio continuou seu caminho até Mar da Arábia e o outra parte segue paralelamente ao curso natural do Indus, deixando muita destruição pelo caminho.

Esta outra parte do fluxo do rio Indus está indo para o maior lago de água doce do Paquistão, o Manchar, e ameaça inundar partes da província de Sindh que ainda não foram atingidas.

Engenheiros do Exército estão tentando fechar a brecha aberta da represa Toori para evitar mais esta inundação, mas o trabalho está sendo prejudicado por mais chuvas no norte do Paquistão.

No distrito de Dadu as autoridades tentam salvar duas cidades que estão ameaçadas por estas novas enchentes, a Cidade de Dadu e Johi, com obras para reforçar diques.

Cerca de 80% da população de 60 mil pessoas de Johi já fugiu e pelo menos 350 mil pessoas estão abandonando a área.

Nas últimas semanas 19 dos 23 distritos de Sindh foram inundados. Semanas depois do início das enchentes no Paquistão, as agências de ajuda afirmam que mais de 8 milhões de pessoas abandonaram suas casas e precisam de alimentos e água.

Agricultura

Mais de 1,6 mil pessoas já morreram nas últimas enchentes e cerca de 17 milhões de pessoas, da população de 166 milhões de paquistaneses, já foram afetadas.

As autoridades da província de Sindh já avaliaram também as perdas no setor de agricultura.

De acordo com com estas autoridades, os prejuízos no setor podem chegar a US$ 1 bilhão e, apenas no setor de algodão, as perdas podem ultrapassar os US$ 370 milhões, uma situação muito séria já que o algodão é o produto mais importante para a agricultura do país.

Em todo o Paquistão as enchentes arruinaram 3,6 milhões de hectares de terras cultiváveis, e, de acordo com a FAO (agência da ONU para alimentação e agricultura), os fazendeiros precisam receber com urgência mais sementes para as colheitas de 2011.

A ONU estima que, em todo o país, 1,2 milhão de animais, incluindo gado usado em arados, se afogaram nas enchentes.

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