Gangues paralisam transporte público e comércio em El Salvador

Com a paralisação, camionetes particulares fizeram as vezes de ônibus

O transporte público e o comércio em El Salvador estão praticamente paralisados pelo terceiro dia consecutivo, após uma greve ordenada por duas gangues.

A capital San Salvador foi tomada por policiais militares, que escoltavam os poucos motoristas de ônibus que estavam trabalhando e passageiros que tentavam embarcar. O Exército também está usando veículos blindados para ajudar as pessoas a chegarem ao trabalho.

Na segunda-feira, os criminosos dos grupos 18 e Mara Salvatrucha impuseram uma paralisação de 72 horas em protesto contra uma nova lei que torna crime colaborar ou financiar quadrilhas.

Temendo represálias, cerca de 80% das empresas de transporte público acataram a ordem das gangues e camionetes particulares passaram prestar um serviço improvisado de transportes. Cerca de 70% das lojas também fecharam, já que a gangue 18 enviou uma mensagem dizendo que os estabelecimentos que abrissem as portas teriam de "arcar com as consequências".

Segundo o correspondente da BBC em El Salvador, Eric Lemus, o ambiente de tensão e desolação era interrompido apenas pelas filas de passageiros que caminhavam em grupo rumo ao trabalho.

Com a paralisação, os guerrilheiros querem pressionar o presidente Mauricio Funes a vetar a lei que proíbe as gangues, aprovada pelo Congresso em 1º de setembro. A norma foi aprovada pouco depois que integrantes da quadrilha 18 queimaram um ônibus, matando 17 pessoas.

No entanto, Funes afirmou que seu governo não será intimidado pelas ameaças das gangues.

"Vamos assinar a lei", disse o presidente na quarta-feira. "Nós prevíamos isto. Enquanto fechamos o cerco, eles reagem", acrescentou.

Os protestos também atingiram as prisões de El Salvador, onde centenas de integrantes das gangues estão presos e se declararam em "estado de rebelião".

Membros das gangues, que apareceram usando máscaras, afirmaram em entrevistas aos canais de televisão salvadorenhos que convocaram a greve pois acreditam que foram excluídos pelo governo do debate nacional a respeito da redução da violência.