Ameaça de queima do Alcorão gera protestos no Afeganistão

Protestos no Afeganistão contra queima do Alcorão
Image caption Planos de pastor americano causaram revolta no Afeganistão

Milhares de pessoas realizaram nesta sexta-feira protestos contra os Estados Unidos no Afeganistão, reagindo aos planos já cancelados de um pastor evangélico americano de queimar cópias do Alcorão, o livro sagrado do Islamismo.

Na Província de Badakhshan (nordeste), três manifestantes e cinco policiais foram baleados, supostamente por seguranças privados afegãos, durante protesto em uma base alemã da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte). Há relatos não confirmados de mortes.

Também houve protestos na capital afegã, Cabul, e em ao menos cinco das 34 províncias afegãs, muitos ocorridos após as orações desta sexta-feira, que marcaram o fim do mês sagrado do Ramadã.

Alguns manifestantes gritaram slogans contra os Estados Unidos, pediram “morte ao cristianismo” e queimaram bandeiras americanas, enquanto o presidente afegão, Hamid Karzai, disse nesta sexta-feira que a queima do livro sagrado do Islã seria “um insulto” aos muçulmanos.

Entretanto, segundo o repórter da BBC em Cabul Ian Pannell, muitos afegãos provavelmente sequer sabiam que os planos de queimar o Alcorão foram cancelados nos Estados Unidos.

As tensões entre Ocidente e Afeganistão crescem com a escalada da guerra afegã e com a presença no país de 150 mil militares da coalizão liderada pelos Estados Unidos.

Mais protestos são esperados para este sábado, aniversário do 11 de Setembro, em meio a temores de mais violência.

Outros locais

A iniciativa do pastor da Flórida Terry Jones de queimar o livro sagrado dos muçulmanos foi recebida com outros protestos pelo mundo islâmico.

Houve marchas em Multan e Karachi (Paquistão) e na Grã-Bretanha, lar de uma numerosa comunidade muçulmana.

O presidente indonésio, Susilo Bambang Yudhoyono, disse ter ciência do cancelamento, mas agregou que “nenhum de nós pode ser complacente até que essa ideia desprezível seja totalmente extinta”.

No Iraque, o grão-aiatolá Ali Al-Sistani disse que a ameaça de Jones era uma “expressão de ódio ao Islã”, mas pediu calma nas reações.

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