Pastor americano disse ter desistido de queimar Alcorão

Terry Jones e KA Paul, durante entrevista coletiva nesta sexta-feira
Image caption Os planos do pastor foram criticados nos EUA e outros países

O pastor americano que disse pretender queimar o Alcorão disse neste sábado à rede de TV NBC que desistiu da ideia.

"Definitivamente não vamos queimar. Nem hoje nem nunca", disse Terry Jones à rede americana.

"Senti que Deus nos dizia para pararmos", completou pastor que comanda uma pequena igreja com cerca de 50 fieis na Flórida.

Jones havia declarado que o livro sagrado dos muçulmanos seria “maligno” e queria instituir o 11 de setembro como o dia da queima do Alcorão, atitude que foi bastante criticada por diversos setores da sociedade americana e em outros países.

Tolerância

Na sexta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, fez um apelo por tolerância religiosa, em meio à polêmica criada pelos planos de Terry Jones.

"Eu acho que é absolutamente importante neste momento que a maioria esmagadora dos americanos mantenha aquilo que temos de melhor: a crença na tolerância religiosa, clareza sobre quem são nossos inimigos", disse Obama, em uma coletiva de imprensa na Casa Branca.

"Nossos inimigos são a (rede extremista) Al-Qaeda e seus aliados, que estão tentando nos matar, mas têm matado mais muçulmanos do que ninguém", disse Obama. "Nós temos de garantir que não comecemos a nos voltar uns contra os outros."

"A ideia de que nós possamos queimar textos sagrados da religião de outros é contrária àquilo sobre o qual esta nação foi fundada. E minha esperança é que este indivíduo evite fazê-lo", afirmou.

Obama disse ainda que a captura ou a morte do líder da Al-Qaeda, Osama Bin Laden, continua sendo prioridade para os Estados Unidos, nove anos depois dos ataques de 11 de setembro.

Situação bizarra

De acordo com o correspondente da BBC em Washington Paul Adams, a situação vinha ficando cada vez mais bizarra.

Há três dias, segundo o correspondente, poucos americanos tinham ouvido falar de Terry Jones. Agora os pronunciamentos do pastor competem por espaço na imprensa americana com os pronunciamentos do presidente.

Muitos nos Estados Unidos afirmam que os planos do pastor Jones acabaram ganhando mais atenção exatamente devido à reação do governo.

O secretário de Defesa americano, Robert Gates, chegou a telefonar para o pastor. O FBI (a polícia federal americana) também entrou em contato com Jones para pedir que desistisse de sua iniciativa.

"Eu não acredito que fomos nós que elevamos essa história, mas é, na era da internet, algo que pode causar profundo dano em todo o mundo, então temos de levar muito a sério", disse Obama.

E o plano de queima de exemplares do Alcorão desencadeou protestos em países muçulmanos e foi criticado por vários líderes de outros países.

Os protestos ocorreram no Afeganistão e Paquistão na sexta-feira, enquanto os fiéis marcavam o feriado religioso muçulmano do Eid El Fitr, que marca o fim do jejum do Ramadã.

Três pessoas foram baleadas por seguranças particulares quando um protesto perto de uma base da Otan no nordeste do Afeganistão ficou mais violento.

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