Irã estipula em US$ 500 mil fiança de americana detida no país

Americanos cruzaram a fronteira do país durante caminhada
Image caption Bauer, Shourd e Fattal foram detidos em julho de 2009

A Justiça iraniana disse neste domingo que a americana detida no país desde julho de 2009 sob acusação de espionagem pode ser liberada mediante o pagamento de fiança de US$ 500 mil.

O promotor Abbas Jafari Dolatabadi disse que Sarah Shourd, de 32 anos, pode deixar o país após pagar a quantia.

Shourd e dois homens, Shane Bauer e Josh Fattal, foram presos nas proximidades da fronteira ente o Irã e o Iraque. Suas famílias dizem que os três ex-estudantes da universidade americana de Harvard entraram em território iraniano por engano, em meio a uma caminhada pelas montanhas do curdistão iraquiano.

Mas o Irã diz que o grupo pretendia espionar, embora os americanos ainda não tenham sido formalmente acusados.

Tratamento

"Baseado em documentos e tendo recebido a confirmação do juiz de direito a respeito da doença da sra. Shourd, sua detenção foi convertida em uma fiança de US$ 500 mil", disse o promotor Jafari-Dolatabadi.

"Ela não está impedida de deixar o Irã. Os outros dois detidos americanos permanecem na cadeia", disse ele.

A mãe de Shourd disse, após visitá-la em maio, que a filha não vinha recebendo tratamento para um possível tumor no seio.

Relatos dizem que os três jovens estão desnutridos e deprimidos após mais de um ano presos em regime de semi-isolamento.

Processos

O promotor Dolatabadi disse que a acusação contra os dois homens deve ser apresentada em breve e que há "razões suficientes para acusar os três de espionagem", crime punido com pena de morte no Irã.

"Foi provado que eles entraram ilegalmente no país. Além disso, o equipamento e mantimentos que eles traziam são usados apenas por espiões", disse ele.

No sábado, Dolatabadi havia se oposto a planos do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, de libertar Shourd ao fim do mês santo do Ramadã, alegando que "procedimentos legais não haviam sido finalizados".

O correspondente da BBC no Oriente Médio Jon Leyne disse que muitos dos detidos esperando julgamento no Irã preferem pagar fianças e deixar o país para não correr o risco de longas sentenças.

Mas ele disse que, com tantas reviravoltas envolvendo o caso, é compreensível que a família de Shourd tenha cautela antes de comemorar sua liberdade.

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, pediu publicamente ao governo do Irã que solte os três.

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