Israel e palestinos discutem temas ‘centrais’ no processo de paz

Netanyahu, Hillary, Abbas e Mitchell em encontro no Egito (Foto: Gov. de Israel/Getty Images)
Image caption Reunião tratou de temas 'centrais' para a paz, disse Mitchell (dir.)

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, e o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, fizeram nesta terça-feira no balneário de Sharm El-Sheikh, no Egito, a primeira reunião de trabalho após a retomada das negociações diretas de paz, no início do mês.

Em uma declaração após a reunião, o enviado especial dos Estados Unidos – país mediador do encontro –, George Mitchell, disse que as conversas bilaterais trataram de temas “centrais”, como fronteiras, refugiados palestinos e o status de Jerusalém, e os dois lados “reiteraram suas intenções de abordar as negociações em boa-fé e com seriedade de propósito”.

O enviado reiterou que o objetivo comum continua a ser a coexistência de “dois Estados para dois povos” e conclusão das negociações em um ano.

O encontro, porém, terminou sem avanços visíveis na questão dos assentamentos judaicos na Cisjordânia, considerada crucial nas negociações.

Mitchell disse que pediu a Netanyahu que estenda a suspensão das construções nos assentamentos, que expira no dia 26 deste mês.

Mas Netanyahu vem sinalizando que não pretendia estender a suspensão, em meio à pressões da ala mais linha-dura de seu governo e de colonos israelenses na Cisjordânia.

Jerusalém

O congelamento de dez meses foi estabelecida por Israel no final de 2009, e o lado palestino ameaça abandonar as negociações de paz caso ela não seja mantida.

“Faz sentido estender o congelamento, especialmente porque as conversas estão avançando em uma direção construtiva”, disse Mitchell, reiterando declarações da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, que participou da reunião.

Segundo o chanceler do Egito, Ahmad Abu-Al-Ghayt, “o lado israelense não esclareceu suas intenções (na questão dos assentamentos) nem positiva nem negativamente”.

No final do dia, Hillary, Netanyahu e Abbas fizeram uma reunião não agendada, que terminou sem anúncios, e um novo encontro previsto para esta quarta-feira em Jerusalém.

Enquanto isso, segundo o jornal israelense Haaretz, autoridades em Jerusalém planejam discutir em 7 de outubro um plano de construção de 1,3 mil unidades habitacionais no lado oriental da cidade – região que, apesar de não estar incluída na suspensão das construções, é reivindicada pelos palestinos como a capital de seu futuro Estado.

Em abril, durante uma visita a Israel do vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, o anúncio do governo israelense de que mais 1,6 mil casas seriam construídas em Jerusalém Oriental geraram tensão diplomática entre os dois lados.

Notícias relacionadas