Envelhecimento rápido da população desafia sistema chinês de aposentadoria

Image caption Aula de valsa para idosos em Xangai

Em um parque no centro de Xangai, os idosos da cidade dançam valsa, ao som de canções pop. Eles viveram o suficiente para ver bons tempos - seu país se tornando rico, e a expectativa de vida, mais alta.

"Os velhos dançam porque têm medo de morrer", diz Tian Xia, 58 anos, participante frequente das aulas. "E é por isso que eles dançam, para ficarem saudáveis".

Mas ficar com os cabelos brancos na China nem sempre é algo tão sereno. A população do país está envelhecendo rapidamente. De acordo com estatísticas oficiais, há atualmente 167 milhões de chineses com mais de 60 anos.

Até 2050, esse número deve aumentar para cerca de 400 milhões - um quarto da população.

Uma das principais razões para o envelhecimento dos chineses é o controle populacional do país, que resulta em menos nascimentos. O controle inclui a política do filho único - que afeta majoritariamente famílias vivendo em áreas rurais.

As taxas de natalidade diminuíram em um terço, se comparadas com as registradas há 30 anos. E isso significa que há menos jovens para tomar conta da população que envelhece.

"Esperamos que haja algum tipo de crise no sistema de pensão ao longo dos próximos 20 anos", diz o professor Peng Xizhe, especialista em população da Universidade Fudan, de Xangai. "Não queremos uma crise, mas temos que agir rapidamente, porque o tempo está passando".

A economia da China pode estar crescendo freneticamente - está a caminho de se tornar a segunda maior do mundo este ano. Mas o país ainda precisa descobrir como vai sustentar uma população que envelhece rapidamente.

As aposentadorias são pequenas ou não existentes na China. Há vários esquemas em funcionamento para aqueles que vivem em áreas urbanas, ou em áreas rurais.

O governo chinês está trabalhando para reformar o sistema. Mas o professor Peng Xizhe acredita que não há muito que o governo possa fazer. Ele diz que a China precisará criar um sistema baseado em "vários pilares", no qual governo, família e outras organizações tomem conta dos idosos.

Tradicionalmente, são os jovens que tomam conta dos idosos na China. Yan Yunying é uma delas. A jovem de 22 anos trabalha com finanças, e toma conta de seus avós, além de ajudar seu pai a cuidar da mãe dele, que tem câncer. Mas é difícil manter um emprego, ou arrumar um namorado, quando você dá apoio a uma família inteira.

"A pressão sobre mim está aumentando", diz ela. "Mas é minha responsabilidade, e eu tenho equilibrar meu trabalho com minha família".

Na cidade de Xangai, o problema é agudo. Um em cada cinco moradores da cidade tem idade para se aposentar. Asilos - algo de que nunca se ouvia falar aqui - estão começando a surgir no local. Um deles é o luxuoso Cheris Yearn, nos arredores da cidade - com piscina, academia de ginástica, e cercado de lagos.

Xi Zhiyong, proprietário do asilo, acredita que o mercado de assistência para idosos tem enorme potencial no país.

"Em 10 anos deveremos ter mais de 200 milhões de idosos no país. Você pode imaginar o quão grande será a demanda, que continuará aumentando", diz.

Mas estes asilos são uma opção apenas para a elite rica. Para outros, decisões difíceis têm que ser feitas. A China ainda precisa descobrir como vai cuidar de seus idosos. E este problema será herdado por gerações futuras.