EUA veem avanço em negociação sobre assentamentos israelenses na Cisjordânia

Benjamin Netanyahu, Hillary Clinton e Mahmoud Abbas
Image caption Mediadas pelos EUA, conversas de paz foram retomadas neste mês

O enviado dos Estados Unidos para o Oriente Médio, George Mitchell, disse nesta quarta-feira que o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, e o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, avançaram nas negociações em relação aos assentamentos israelenses em terras palestinas.

Os dois líderes tiveram um encontro em Jerusalém sob mediação dos Estados Unidos. A reunião fez parte da segunda rodada do diálogo direto entre os dois, retomado no início de setembro após um intervalo de 20 meses.

“Nós continuamos com nossos esforços para avançar nesse assunto e acredito que estejamos fazendo isso”, disse Mitchell.

Os palestinos ameaçam deixar a negociação se o congelamento parcial à construção de assentamentos na Cisjordânia não for prorrogado.

No entanto, Israel vem se recusando a prolongar a restrição, prevista para durar até 26 de setembro.

“Os dois líderes não estão deixando as questões difíceis para o final das discussões. Nós encaramos isso como um forte indicador da crença deles de que a paz é possível”, disse Mitchell. Segundo ele, as duas partes concordaram em retomar as negociações na semana que vem.

Questões centrais

Antes do encontro, a secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, disse que os dois líderes estavam começando a tratar de “questões centrais que só podem ser resolvidas por meio de conversas diretas”.

“Acredito que eles estejam comprometidos com a construção de um acordo que resulte em dois Estados lado a lado”, disse ela. Na terça-feira, Netanyahu e Abbas se reuniram no Egito, em reunião também mediada por Hillary.

L eia mais na BBC Brasil sobre a reunião de terça-feira

Cerca de 500 mil israelenses vivem em mais de 150 assentamentos construídos desde a ocupação israelense da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental, em 1967. As colônias são consideradas ilegais por leis internacionais.

No domingo, Netanyahu disse que não poderia prorrogar a suspensão das construções nos assentamentos da Cisjordânia.

Pátria judaica

Já as concessões que os israelenses esperam dos palestinos incluem o reconhecimento de Israel como a pátria judaica e a definição rápida das fronteiras do futuro Estado palestino.

O status de Jerusalém segue como uma das questões mais polêmicas. Israel a reclama como sua capital indivisível, enquanto os palestinos querem que Jerusalém Oriental seja a capital do seu futuro estado. A comunidade internacional não reconhece a anexação por Israel de Jerusalém Oriental em 1967.

Outro problema que os negociadores enfrentam é que só um dos territórios palestinos (a Cisjordânia) está representado no diálogo, já que o movimento islâmico Hamas, que controla a Faixa de Gaza, se opõe às negociações.

Horas antes do encontro desta quarta-feira, aviões israelenses bombardearam túneis entre a Faixa de Gaza e o Egito, matando um palestino. O ataque ocorreu após militantes em Gaza lançarem foguetes e morteiros no sul de Israel.

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