Crítica de comissária da UE a expulsão de ciganos é inaceitável, diz França

Família retorna à Romênia
Image caption A França deportou mais de 1,2 mil romas desde julho

O governo francês reagiu nesta quarta-feira a declarações da Comissária de Justiça da União Europeia, Viviane Reding, que criticou a deportação de dezenas de romas (conhecidos como ciganos) da França.

Na última terça-feira, Viviane Reding afirmou que a situação vivida pelo povo roma na França era uma "vergonha" e algo que ela “achava que a Europa não voltaria a ver depois da Segunda Guerra Mundial”.

O gabinete do presidente presidente Nicolas Sarkozy disse que os comentários de Viviane Reding eram “inaceitáveis” e pediu uma discussão calma em vez de uma “controvérsia estéril”.

Por sua vez, falando a uma emissora de rádio francesa, o Ministro de Assuntos Europeus da França, Pierre Lellouche, afirmou que a Comissária “cometeu uma gafe” ao sugerir que o governo francês estaria agindo como o regime Vichy, que governou a França durante o domínio nazista e enviou romas a campos de concentração.

Ele disse ainda que “a Comissão não pode se colocar como crítica dos Estados” e que sua paciência está se esgotando.

Luxemburgo

O próprio Sarkozy teria reagido às declarações da comissária durante um banquete com aliados políticos em Paris.

Presente no evento, o senador Bruno Sido, afirmou em entrevista a uma TV local que Sarkozy disse que a França aplicou corretamente a legislação europeia na deportação de romas do país.

Ele também teria dito ainda que “se as pessoas de Luxemburgo quiserem recebê-los, não haverá problema”. Viviane Reding é cidadã de Luxemburgo.

O Ministro de Assuntos Exteriores de Luxemburgo, Jean Asselborn, disse que o comentário de Sarkozy foi claramente “maldoso”.

Em entrevista à BBC, a Comissária disse que o governo francês seguia em frente com a política por razões “puramente populistas e políticas”.

Leia mais na BBC Brasil: Comissão Europeia ameaça processar França por expulsão de ciganos

Dinheiro

Desde julho, a França expulsou 1.230 romas para a Romênia e a Bulgária, sob a acusação de viverem ilegalmente no país. Eles são repatriados em troca de um pagamento de 330 euros por adulto e cem euros por criança.

O governo diz que o retorno dos romas a seus países de origem é voluntário.

Ainda nesta quarta-feira, o presidente da Comissão Europeia (órgão executivo da União Europeia), José Manuel Durão Barroso, afirmou que apoiava as críticas à França no caso da deportação dos roma.

Barroso também disse que algumas declarações da Comissária de Justiça podem ter dado margem a mal-entendidos.

Segundo a repórter da BBC Oana Lungescu, Sarkozy deve dar maiores explicações sobre a deportação dos romas em uma cúpula de líderes da União Europeia em Bruxelas na quinta-feira.

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