Em Londres, papa alerta contra a ‘marginalização’ da religião

O O papa bento 16 e o prefeito de Londres, Boris Johnson/AFP
Image caption O papa falou a um grupo de políticos e personalidades em Londres

O papa Bento 16 disse nesta sexta-feira durante visita à Grã-Bretanha que a religião e o cristianismo, em particular, estão sendo marginalizados.

As declarações foram feitas durante discurso considerado histórico no Parlamento britânico para políticos, líderes religiosos e personalidades.

"Não posso deixar de externar minha preocupação com a crescente marginalização da religião, especialmente da cristandade, que ocorre em alguns setores, mesmo em nações que valorizam muito a tolerância", disse ele.

"Existem alguns que defenderiam que a religião se calasse ou que pelo menos fosse relegada a um âmbito puramente privado."

"Há também os que defendem que celebrações públicas de festas como o Natal devem ser desencorajadas, sob o questionável argumento de que elas poderiam, de alguma forma, ofender pessoas de outras religiões ou de nenhuma."

Crianças

Em uma missa celebrada na Abadia de Westminster em conjunto com o arcebispo de Canterbury, líder espiritual da Igreja Anglicana, Rowan Williams, o papa disse que "em uma sociedade que se torna cada vez mais indiferente ou mesmo hostil à mensagem cristã", os fiéis deveriam "falar com ainda mais alegria e de forma convincente" de suas crenças.

As duas igrejas romperam em 1534. Ambos os líderes ressaltaram a importância de o cristianismo não ser visto como uma ameaça à liberdade.

Mais cedo, o papa falou a cerca de 4 mil crianças estudantes de uma escola cristã em Londres.

Ele disse que a segurança das crianças é fundamental, em uma referência aparente aos escândalos de pedofilia na Igreja.

O papa também disse que carreira e dinheiro não são suficientes para a felicidade, enquanto que a satisfação verdadeira poderia ser encontrada em Deus.

Ameaça

Mais cedo na sexta-feira, a polícia de Londres anunciou que havia detido seis suspeitos, a maioria deles argelinos, por suposto envolvimento com uma possível ameaça ao papa.

O atual nível de ameaça para a Grã-Bretanha é "forte", o que significa que os setores de segurança acreditam que um ataque é "altamente provável".

Em sua visita, o papa vem sendo recebido por multidões de fiéis e também protestos organizados por entidades contrárias à presença do religioso no país. Muitos dos manifestantes lembram os casos de pedofilia envolvendo padres.

Autoridades policiais da Inglaterra e da Escócia passaram meses planejando a operação de segurança para a visita do papa à Grã-Bretanha.

A operação de segurança incluiu avaliação de ameaças, medidas para segurança durante movimentação do papa e a necessidade potencial de controle de multidões.

No total, a conta da operação de segurança pode chegar a 1 milhão de libras (quase R$ 2,7 milhões).

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