Afeganistão

Afegãos vão às urnas após ameaça de Talebã

Mulher vota no Afeganistão

Eleitores desafiaram ordens do Talebã

Eleitores afegãos foram às urnas neste sábado para eleger seus representantes no Parlamento, em meio a ameaças do Talebã.

O dia foi marcado por uma série de incidentes violentos e o comparecimento às urnas teria sido baixo. Seis integrantes das forças de segurança teriam sido mortos em um ataque do Talebã no norte do país, e pelo menos outras oito pessoas teriam morrido em outros atentados.

Este foi o primeiro pleito desde as eleições presidenciais do ano passado. A eleição é vista como um teste de credibilidade para o presidente Hamid Karzai. Mas, poucas horas após o fim da votação, já começaram a surgir relatos de irregularidades.

Mais de 2,5 mil candidatos concorreram a 249 vagas na Câmara baixa do Parlamento, a Wolesi Jirga.

Soldados e policiais afegãos passaram o dia em alerta e contaram com o apoio de quase 150 mil soldados estrangeiros.

Talebã

Militantes do Talebã haviam pedido que os eleitores boicotassem o pleito e "seguissem com a Jihad (guerra santa)".

"Planejamos algumas medidas (...) para frustrar esse processo americano e vamos colocá-las em prática no dia em que o processo ilegítimo das eleições acontecer", ameaçou o grupo.

O Talebã diz ter realizado atentados contra pelo menos 150 seções eleitorais.

O governador da província de Kandahar, Tooryalai Wesa, disse que seu comboio foi atingido por um explosivo quando ele visitava os locais de votação, mas ninguém teria ficado ferido.

Duas seções eleitorais em Jalalabad teriam sido atacadas e as forças de seguranças teriam trocado tiros com militantes em três áreas da cidade.

Os extremistas já haviam assumido os sequestros de dois candidatos e de 18 funcionários de seções eleitorais e cabos eleitorais nos meses anteriores à eleição.

Irregularidades

Pouco tempo após o fim da votação, começaram a surgir relatos de irregularidades, como a suposta descoberta de falsos títulos de eleitor e de pagamentos de propina. Também há preocupação com a denúncia de que a tinta usada para marcar os dedos de quem já havia votado podia ser lavada, permitindo que os eleitores votassem mais de uma vez.

Glen Cowan, da organização Democracia Internacional, que tem 80 observadores no Afeganistão, disse à BBC estar atento aos relatos, mas que eles não representam um "problema estratégico".

Após votar no centro da capital Cabul, o presidente Hamid Karzai disse esperar que a população não deixasse de votar por causa das ameaças.

Ele disse que, participando da eleição, os afegãos estariam "levando o país a dar vários passos em direção a um futuro melhor".

Os resultados finais do pleito deste sábado só devem ser divulgados no fim de outubro.

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