China suspende diálogo de alto nível com Japão

Barco pesqueiro chinês
Image caption O capitão está detido no Japão desde 8 de setembro, um dia após colisão

A China suspendeu o diálogo de alto nível com o Japão, incluindo negociações sobre aviação e carvão, e prometeu retaliações após a prisão do capitão de uma embarcação chinesa por autoridades japonesas.

Mais cedo, um tribunal em Okinawa, no Japão, decidiu estender em 10 dias a detenção do capitão Zhan Qixiong, envolvido em uma colisão próxima a ilhas disputadas pelos dois países no dia 7 de setembro.

As autoridades japonesas acusam o pescador chinês de ter deliberadamente atingido uma embarcação da guarda-costeira japonesa e de ter obstruído o acesso de funcionários públicos japoneses à ilhas no Mar da China Oriental.

No Japão, o arquipélago em questão é conhecido como Senkaku e, na China, como Diaoyu.

Crise diplomática

Uma declaração do Ministério do Exterior chinês divulgada pela televisão estatal do país diz que a decisão "prejudicou seriamente as relações bilaterais sino-japonesas".

"(O ministro do Exterior) Ma Zhaoxu disse que a China repetiu diversas vezes que qualquer medida jurídica tomada pelo Japão contra o capitão chinês é ilegal e inválida."

"Exigimos que o Japão devolva o capitão chinês incondicionalmente e imediatamente. Se o Japão continuar a tomar o caminho errado, a China vai adotar medidas duras e o Japão terá de lidar com as consequencias", diz a mensagem.

Importância estratégica

O Japão já liberou o barco pesqueiro e a tripulação, mas a decisão da justiça significa que o capitão continuará detido até o dia 29 de setembro.

Um porta-voz do gabinete do primeiro-ministro japonês, Norriyuki Shikata, disse à agência de notícias Reuters que "em relação a questões individuais, é necessário agir de forma calma e sem reações emocionais".

As ilhas disputadas ficam próximas a rotas marítimas de importância estratégica, além de estarem em uma área rica em peixes e onde acredita-se haver petróleo.

O Japão atualmente controla o arquipélago, mas ambos os países declaram ter posse das ilhas.