Brasil foi o país que enviou mais dinheiro ao Haiti, diz Amorim em NY

Celso Amorim
Image caption O ministro vai ao Haiti após participar da reuinião da ONU

O Brasil foi o primeiro país a ajudar financeiramente o Haiti e o que enviou mais dinheiro após o terremoto de janeiro, disse nesta segunda-feira o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.

"O Brasil foi o primeiro país a depositar, depositou US$ 55 milhões no fundo, e creio que, até o dia de hoje, ainda é o maior contribuinte para o fundo", disse Amorim, após participar da reunião da Comissão Interina para a Recuperação do Haiti em Nova York.

O ministro viajou aos Estados Unidos participar da 65a Assembléia Geral das Nações Unidas e de uma série de reuniões bilaterais até terça-feira, dia 28 de setembro, quando embarca para o Haiti para entregar pessoalmente o projeto para a construção da Barragem Artibonite ao presidente René Préval.

"Espero que usem os US$ 40 milhões que eles ainda têm de crédito (dos US$ 55 milhões enviados pelo Brasil) para a construção da barragem que vai levar energia a um milhão de haitianos", disse ele.

Amorim disse que a reunião é uma boa oportunidade de levar a situação do Haiti de volta para o foco da mídia.

"O terremoto ocorreu há nove meses, chamou muita atenção do mundo mas (foi) perdendo a atenção da mídia e a importância na opinião publica (portanto) é muito importante manter o engajamento em relação ao Haiti."

Vaga no Conselho de Segurança

Depois da reunião, em entrevista à BBC, o ministro disse que a ajuda ao governo haitiano é um ato de solidariedade e não está ligado ao interesse do Brasil em um assento permanente no Conselho de Segurança.

"Acho que o que estamos fazendo pelo Haiti é uma obrigação e (...) uma decorrência natural do papel que o Brasil tem no mundo."

"Você não pode subir a sua participação no comércio internacional, no produto bruto internacional, na economia internacional, no G20 ou no grupo que for e achar que isso não tem um preço."

"Tudo isso depende da paz e de ações solidárias e acho que o Brasil tem uma maneira de fazer as coisas que ajuda, às vezes, até mais que os outros. O Brasil tem capacidade de diálogo. Basta perguntar aos próprios haitianos o que nos temos feitos por lá."

Em respostas a críticas de que todas as ações do Brasil são na verdade estratégias para assegurar a participação permanente no Conselho de Segurança o ministro disse que "é gente tão mesquinha que não pode compreender que você pode fazer alguma coisa".

"Se nos quiséssemos só entrar no Conselho de Segurança ficaríamos bajulando os poderosos e não é o que fazemos", disse ele.

"Nós defendemos, sem desejo de confrontar nem nada, a paz, a prosperidade, o desenvolvimento e ações humanitárias e, se algum dia nos ajudar a entrar no Conselho de Segurança ótimo, se não nos ajudar já estaríamos pagos porque o que estamos fazendo é bom para a humanidade e bom para a paz", completou.

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