Afeganistão

Tropas britânicas se retiram de região mais perigosa do Afeganistão

Soldados britânicos deixam Sangin, Afeganistão

O Reino Unido perdeu mais de 300 soldados no Afeganistão desde 2001, um terço deles em Sangin

O Exército britânico se retirou oficialmente do distrito de Sangin, no sul do Afeganistão. Nesta segunda-feira, a tropa passou o controle da região para marines americanos após uma missão de quatro anos.

Sangin é considerada a área mais perigosa do país. As batalhas no local são responsáveis pelo maior número de baixas do exército britânico. - foram 106 mortos, um terço das perdas do Reino Unido durante a campanha afegã.

O ministro da Defesa, Liam Fox, disse que as tropas devem ficar “orgulhosas de suas conquistas”. Ele afirmou que Sangin, na província de Helmand, era “uma das áreas mais desafiadoras do Afeganistão”.

“O nível de sacrifício foi alto, e nunca esqueceremos dos bravos soldados que perderam suas vidas perseguindo o sucesso de uma missão internacional que está firmemente enraizada na segurança nacional do Reino Unido”, declarou.

Após a entrega do comando, a tropa britânica se dirigirá ao centro da província.

'Inferno'

O Exército britânico está em Sangin desde 2006. De acordo com a mídia inglesa, o distrito é descrito pelos soldados como um “inferno”. O Ministério da Defesa anunciou em julho que o comando seria substituído por uma divisão de marines americanos.

O correspondente da BBC em Kabul, Ian Pannell, disse que a cerimônia de entrega do comando para os americanos mudaria pouco na região, em termos práticos.

Segundo Pannell, alguns membros do comando de batalha britânico já haviam saído. A entrega do posto será concluída durante as próximas semanas.

“Mesmo que tenha havido progresso, a região permanece muito difícil. É um campo de batalha importante para insurgentes e forças da coalizão”, afirmou.

O porta-voz do Ministério de Defesa, general Gordon Messenger, antigo comandante da força-tarefa em Helmand, disse que a manobra não era “de jeito nenhum” uma retirada.

Ele admitiu que os progressos em Sangin foram mais lentos do que em outras partes de Helmand, mas disse que os esforços britânicos não foram em vão.

“Mostrando as melhoras em Sangin conseguimos desviar a violência que, de outro modo, seria exportada para as áreas mais populosas no centro de Helmand”, declarou.

O porta-voz disse ainda que o Exército está vendo “progresso real e positivo em áreas que há um ano estavam em um estado muito diferente”.

O comandante do grupo, coronel Paul James, afirmou que a presença dos soldados ajudou a fortalecer policiais e militares afegãos.

“As forças de segurança nacionais do Afeganistão, com as quais fizemos parcerias, estão começando a andar com as próprias pernas e assumir a responsabilidade de libertar Sangin”, disse.

“Não serão as forças britânicas nem as americanas que conseguirão cumprir essa tarefa, mas sim os próprios afegãos”.

Há cerca de 9.500 soldados britânicos no Afeganistão, a maioria destacados para o sul do país.

A província de Helmand é considerada um terreno difícil para a movimentação dos soldados e de fácil acesso para os atiradores Talebãs. O norte da província também é importante na indústria de cultivo de papoula (matéria-prima do ópio e da heroína).

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