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Relatório da ONU condena ataque israelense a frota de ajuda a Gaza

Cargueiro Mavi Marmara (arquivo)

Nove ativistas morreram no ataque ao Mavi Marmara

Um relatório do Conselho de Direitos Humanos da ONU, divulgado nesta quarta-feira, diz que militares israelenses agiram com força "desproporcional" e demonstraram "um nível inaceitável de brutalidade" ao atacar uma frota de navios que tentava levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza no último dia 31 de maio.

O ataque israelense ao navio Mavi Marmara, que fazia parte da flotilha tentava romper o embargo imposto por Israel ao território palestino, matou nove ativistas turcos e gerou protestos da comunidade internacional.

No documento de 56 páginas, a organização afirma que os militares israelenses desrespeitaram as leis internacionais no incidente.

"Tal conduta não pode ser justificada ou tolerada sob a justificativa da segurança ou qualquer outra justificativa. Constitui uma grave violação da lei dos direitos humanos e da lei humanitária internacional", afirma o documento da ONU.

"Existem provas claras para apoiar acusações dos seguintes crimes dentro dos termos do artigo 147 da Quarta Convenção de Genebra: tortura ou tratamento desumano, causar intencionalmente grande sofrimento ou grave ferimento ao corpo ou saúde", afirma o relatório.

A Convenção é um tratado internacional que trata da proteção de civis em tempos de guerra.

Bloqueio

Os investigadores da ONU também afirmaram que o bloqueio israelense ao território palestino é "ilegítimo", pois há uma crise humana na Faixa de Gaza e "qualquer negação deste fato não pode ter bases racionais".

O relatório ainda lembra que Israel tenta justificar o bloqueio alegando razões de segurança e afirma que o disparo de foguetes da Faixa de Gaza em direção a Israel constitui uma grave violação das leis internacionais e leis humanitárias internacionais.

"Mas a ação em resposta que constitui punição coletiva da população civil na Faixa de Gaza não é legítima nas atuais circunstâncias ou em quaisquer circunstâncias", afirma o relatório.

Além da investigação do Conselho de Direitos Humanos da ONU, também há outro inquérito em separado das Nações Unidas sobre o ataque, pedido pelo secretário-geral da organização, Ban Ki-moon.

Lado israelense

Pouco antes do relatório ser divulgado, o governo de Israel criticou o Conselho de Direitos Humanos da ONU, afirmando que o órgão era extremista, politizado e tendencioso.

Israel alega que está fazendo seu próprio inquérito independente a respeito do ataque ao Mavi Marmara. O inquérito israelense conta com dois observadores estrangeiros, mas críticos afirmam que seu encaminhamento é muito limitado.

Em agosto, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas de Israel, general Gabi Ashkenazi, afirmou que os militares israelenses deveriam ter usado mais força durante o ataque a uma embarcação que tentava levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza.

Leia mais na BBC Brasil sobre as afirmações de Ashkenazi

Os que estavam a bordo com Mavi Marmara afirmam que os militares israelenses abriram fogo assim que embarcaram. No momento da abordagem e ataque, a embarcação estava em águas internacionais.

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