Brasil faz o que se espera de Conselho da ONU ao dialogar com Irã, diz Amorim

O chanceler Celso Amorim, na ONU
Image caption Amorim substituiu Lula na Assembleia Geral da ONU

O ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, disse nesta quinta-feira, diante da Assembleia Geral da ONU, que o Brasil fez o que se espera de um membro do Conselho de Segurança da ONU ao atuar na busca de uma solução para a questão nuclear iraniana.

"O Brasil tem procurado corresponder ao que se espera de um membro do Conselho de Segurança, mesmo não-permanente, que é contribuir para a paz” disse Amorim, que fez o discurso de abertura da 65ª sessão da Assembleia, em Nova York.

"Por essa razão, nos empenhamos em encontrar um instrumento que pudesse representar avanço para a solução do dossiê nuclear iraniano."

"O mundo não pode se permitir o risco de um novo conflito como o do Iraque. Por isso, temos insistido junto ao governo do Irã que mantenha uma atitude flexível e de abertura às negociações. Mas é preciso que todos os envolvidos revelem essa disposição", afirmou.

Vaga permanente

Em maio, ao lado da Turquia, o Brasil obteve um acordo com o Irã sobre seu programa nuclear, na tentativa de evitar sanções contra o país persa.

No entanto, o acordo foi rejeitado pelos Estados Unidos e seus aliados, que temem que o governo iraniano busque secretamente desenvolver armas nucleares, e o Conselho de Segurança aprovou uma quarta rodada de sanções contra o Irã, apesar de voto contrário do Brasil.

"A despeito das sanções, ainda temos esperança de que a lógica do diálogo e do entendimento prevaleça", disse Amorim.

No discurso, Amorim voltou a defender mudanças no Conselho de Segurança, algo que há anos vem sendo reivindicado pelo Brasil.

O país é membro rotativo do Conselho de Segurança, mas busca uma vaga permanente.

"O Conselho de Segurança deve ser reformado, de modo a incluir maior participação dos países em desenvolvimento, inclusive entre seus membros permanentes."

Governo Lula

O ministro representou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que cancelou a viagem a Nova York para acompanhar a reta final da campanha eleitoral.

Esta é a última Assembleia Geral da ONU do governo Lula antes de o presidente deixar o poder, em janeiro.

Amorim falou no seu pronunciamento sobre o crescimento econômico e a inclusão social conquistados durante os oito anos do governo Lula e disse que o Brasil está a caminho de alcançar até 2015 todos as Metas de Desenvolvimento do Milênio (objetivos estabelecidos pela ONU que preveem, entre outros pontos, a redução da fome e da pobreza).

O ministro citou as iniciativas de cooperação Sul-Sul, as ações do Brasil em países africanos e na integração da América do Sul.

"Nos oito anos do governo Lula, o Brasil desenvolveu uma diplomacia independente, sem nenhum tipo de subserviência e respeitosa de seus vizinhos e parceiros", disse.

Divergências

A maior independência da diplomacia brasileira provocou alguns conflitos nas relações com os Estados Unidos. Além da discordância em relação à questão nuclear iraniana, os dois países estiveram em posições divergentes em outros episódios recentes.

Ao longo de seu discurso, sem mencionar divergências com os Estados Unidos, Amorim falou sobre alguns desses episódios.

"O Brasil reitera seu repúdio - que é de todos os latino-americanos e caribenhos - ao ilegítimo bloqueio a Cuba", disse.

Também condenou o golpe de Estado em Honduras, no ano passado. "O regresso (a honduras) do ex-presidente (hondurenho Manuel) Zelaya sem ameaças à sua liberdade é indispensável para a normalização plena das relações de Honduras com o conjunto da região", afirmou o ministro.

O ministro defendeu ainda a eliminação total das armas nucleares. "Cortes unilaterais são bem-vindos, mas insuficientes, sobretudo quando ocorrem em paralelo à modernização dos arsenais atômicos", disse.

Oriente Médio

O ministro disse ainda que o Brasil segue com atenção os desdobramentos do processo de paz no Oriente Médio e defendeu o congelamento das construções de assentamentos judaicos em territórios ocupados - um dos principais desafios nas negociações entre Israel e palestinos.

O Brasil tem buscado um papel de maior relevância nas negociações de paz. No ano passado, Lula recebeu em Brasília, com poucos dias de diferença, as visitas do presidente de Israel, Shimon Peres, e da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas.

No primeiro semestre deste ano, o presidente visitou a região.

"O Brasil, que tem cerca de 10 milhões de descendentes de árabes e uma importante comunidade judaica convivendo em harmonia, não se furtará a dar sua contribuição para a paz que todos anseiam", disse Amorim.

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