Em debate sem confrontos, presidenciáveis falam de aborto, educação e pré-sal

Dilma, Serra e Marina (arquivo/ABr)
Image caption Candidatos se encontraram em debate nesta quinta-feira

Em um debate sem grandes confrontos ou polêmicas, os quatro candidatos à Presidência que lideram as pesquisas de opinião deram uma indicação do que pensam sobre temas como aborto, saúde e educação – e quais seriam seus projetos.

O formato do encontro, promovido por um grupo de entidades católicas coordenado pela Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), não permitiu perguntas entre os candidatos. Todos os questionamentos foram feitos pelos grupos promotores do evento e por entidades da sociedade civil.

Um dos principais temas da noite foi a prática do aborto no país. A pergunta foi dirigida à candidata Marina Silva (PV) e, de acordo com o sorteio do debate, a candidata Dilma Rousseff (PT) também pôde comentar. Com isso, Plínio e Serra não tiveram a chance de expor suas posições sobre o assunto.

Dilma, que lidera as pesquisas, disse ser "contrária" a essa prática. "Pessoalmente, não sou favorável ao aborto", afirmou a candidata do governo. "E também não sei se acho necessário ampliar os casos já previstos na lei. Não vejo muito sentido", acrescentou.

Também questionada sobre o assunto, a candidata Marina Silva (PV) seguiu a mesma linha, posicionando-se de forma desfavorável à prática do aborto.

Marina disse ainda que tem tentado "aprofundar" essa questão e tem pago "um preço" por isso. Ela negou que haja "conflito" entre a sua posição e a de seu partido, que tem defendido o aborto como uma prática "livre e segura".

"Façamos um plebiscito, para que a sociedade possa debater com clareza uma questão que é delicada", acrescentou a candidata do PV.

Pré-sal

Questionado sobre sua posição quanto à exploração do pré-sal, o candidato José Serra (PSDB) defendeu que seja criado um fundo com os recursos da exploração – e que esse dinheiro possa ser usado não apenas em educação, mas também no pagamento de aposentadorias.

"Sou a favor que se crie um fundo, que pode beneficiar a educação, a ciência e a tecnologia e os aposentados, como fez o Chile", disse Serra.

O tucano também chamou atenção para o aspecto econômico da exploração desse petróleo. "Temos de evitar aquele oba-oba, de que estamos ricos e não precisamos fazer mais nada", disse o candidato, mencionando o caso da Venezuela, que apesar de ter petróleo em abundância, "não se saiu bem", segundo ele.

Já o candidato Plínio de Arruda Sampaio, do PSOL, sugeriu "calma" no processo de exploração do pré-sal. Segundo ele, há ainda muitas "incógnitas" nesse área, como por exemplo o custo da perfuração.

"O que eu proponho? Calma nisso, estuda primeiro e depois vamos fazer um plebiscito", disse.

"Não podemos deixar que isso seja decidido agora, como faz o governo. Nossa posição é contrária à exploração imediata", acrescentou.

Educação

De alguma forma todos os presidenciáveis citaram a educação como "prioridade" caso fossem eleitos. A candidata Dilma Rousseff, por exemplo, disse que existe uma "deficiência" na oferta de creches para crianças de zero a quatro anos e que esse problema precisa ser "solucionado".

"Nessa fase, a cobertura de creches é de apenas 18%. Por isso defendo a criação de 6 mil creches", disse Dilma.

Também para Serra é "fundamental" investir nessa fase, que também representa "mais saúde" para as crianças.

A candidata Marina Silva colocou como prioridade de seu governo uma educação para uma "sociedade do conhecimento", com foco maior para o ensino público.

Já Plínio de Arruda Sampaio disse que, no programa de governo do PSOL, "a educação é pública" e prometeu desapropriar as escolas privadas. "Temos que fazer com que 10% do Produto Interno Bruto (PIB) vá para as universidades", disse.

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