Polícia matou líder guerrilheiro no Paraguai, diz ministro

Militares durante estado de exceção no Paraguai, em maio
Image caption Estado de exceção, em abril, permitiu patrulhas militares no Paraguai

O ministro do Interior do Paraguai, Rafael Filizzola, disse nesta sexta-feira que a polícia matou um dos líderes do grupo guerrilheiro EPP (Exército do Povo Paraguaio), Nímio Cardozo Cáceres, conhecido como “Homero” e “Aníbal”.

“A pessoa morta tinha uma pistola, uma granada na mão e US$ 1,1 mil no bolso, além de outras armas”, disse o ministro.

A operação ocorreu no departamento (Estado) de Concepción, próximo à fronteira com o Brasil. Segundo o ministro, outros integrantes do grupo teriam abandonado o local, onde foram encontrados explosivos e armas.

Ele afirmou ainda que houve troca de tiros e que a polícia encontrou no local várias barracas que supostamente pertenciam ao EPP.

“As ações contra o grupo serão persistentes”, disse Filizzola. Segundo ele, a operação foi possível “graças a um forte trabalho de inteligência”.

O ministro disse que as primeiras informações indicavam que outro guerrilheiro teria sido ferido, no mesmo confronto nesta sexta-feira.

Estado de exceção

Em abril deste ano, o presidente Fernando Lugo determinou o estado de exceção em cinco dos dezessete departamentos do país, entre eles Concepción, com objetivo de combater as ações do EPP.

A medida, que foi aprovada pelo Congresso paraguaio, durou 30 dias e foi implementada depois que quatro pessoas foram mortas na localidade de Arroyito. De acordo com Filizzola, o EPP teria sido o responsável pelas mortes.

Mas o estado de exceção - que autorizou a presença de militares nas ruas e as detenções sem necessidade de mandado judicial - terminou sem que o governo tivesse conseguido prender os principais líderes do grupo.

De acordo com a rádio Ñanduti, de Assunção, Cardozo Cáceres seria primo de Gabriel Zárate Cardozo, morto pela polícia em 3 de setembro passado. Filizzola declarou que eles são acusados de participar de vários crimes, entre eles o seqüestro e a morte de Cecília Cubas, entre 2004 e 2005, filha do ex-presidente Raul Cubas (1998-1999).

“Nímio Cardozo era procurado por vários casos”, disse o ministro. Filizzolla afirmou que os policiais vão permanecer, nas próximas horas, na região de Concepción.

Segundo autoridades paraguaias, membros do EPP foram treinados pela guerrilha colombiana Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).

Outros setores apontam o EPP como um “grupo criminoso comum”, mas que gera temores entre fazendeiros do norte do país, região onde paraguaios e brasileiros possuem terras.

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