Denúncias de corrupção marcam penúltimo debate entre presidenciáveis

Debate de presidenciáveis
Image caption Serra acusou o governo do PT de fazer um loteamento de cargos públicos

A uma semana da eleição, as denúncias que levaram à queda da ministra-chefe da Casa Civil Erenice Guerra e outras acusações de corrupção no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deram o tom do penúltimo debate entre candidatos à Presidência, fortemente marcado por críticas dos adversários à candidata Dilma Roussef (PT).

O encontro, realizado neste domingo pela TV Record, teve a participação de Dilma, José Serra (PSDB), Marina Silva (PV) e Plínio de Arruda Sampaio (PSOL). Foram também discutidos temas como as relações do governo Lula com a imprensa, educação, política externa e meio ambiente.

O primeiro confronto da noite ocorreu logo no primeiro bloco do debate, quando o candidato do PSOL, ao escolher a candidata do PT para responder a uma pergunta, disse que a corrupção havia "batido duas vezes à porta da Casa Civil", em referência aos escândalos da quebra de sigilo da Receita Federal e às denúncias do caso Erenice.

“Das duas umas: ou você é conivente ou é incompetente”, disse o candidato do PSOL a Dilma.

“Ninguém está acima de qualquer suspeita”, reagiu a candidata do PT, dizendo que o mais importante era que os dois casos estavam sendo investigados. “As pessoas que erraram vão pagar. Mas antes de pagarem, elas vão ser julgadas.”

As denúncias de corrupção voltaram a aparecer durante o bloco do debate em que jornalistas da TV Record fizeram perguntas aos candidatos.

‘Loteamento’

No primeiro confronto direito entre os dois candidatos que lideram as pesquisas, Serra afirmou que o governo do PT vem fazendo um “loteamento de cargos públicos”, em setores como o das agências reguladoras. Segundo o candidato do PSDB, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) foi "loteada": “Muitos senadores indicam o diretor da Anvisa”, afirmou ele.

Dilma se defendeu afirmando que trabalhou para desenvolver planos de carreiras e concursos públicos no ministério de Minas e Energia.

Pouco depois, a candidata do PT voltou a ser alvo de ataque, quando Marina lembrou denuncias de corrupção do caso “mensalão”. A petista rebateu, lembrando de denúncias contra funcionários do Ministério do Meio Ambiente – envolvendo a compra de madeira ilegal – na gestão de Marina. “E as mesmas providências tomadas por você (na época), eu as tomei agora”, afirmou a candidata do PT.

Na parte final do debate, Plínio questionou Serra sobre o escândalo envolvendo o governador afastado do Distrito Federal, José Roberto Arruda – cotado para ser vice do tucano, segundo o candidato do PSOL. “Arruda foi pego num esquema de corrupção e foi afastado. Enquanto no PT, os acusados continua lá numa boa”.

Analfabetismo

Questões ligadas à educação também foram recorrentes durante o debate. Ao defender projetos do governo como o ProUni (Programa Universidade para Todos) e o Reuni (Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades), Dilma foi atacada por Plínio. O candidato do PSOL qualificou o ProUni como “um jeito de o governo de dar dinheiro para faculdades privadas, inclusive as fábricas de diplomas”.

Marina lembrou seu passado de analfabeta para destacar o problema da educação e criticou as promessas de Dilma de valorizar os professores, afirmando que o PT náo o fez durante oito anos no poder.

Os presidenciáveis também falaram das relações do governo Lula com os órgãos de comunicação. Para Serra, o governo critica a imprensa"simplesmente porque ela está fazendo seu papel". Plínio, entretanto, afirmou que a cobertura da mídia é parcial e não dá voz à esquerda.

Já Dilma lembrou seu passado de militante de esquerda, e afirmou que sua trajetória faz com que ela prefira “as vozes críticas da democracia ao silêncio da ditadura”

‘Ingenuidade’

A política externa, tema pouco debatido durante a campanha, entrou na pauta do encontro quando Plínio afirmou que a diplomacia do governo Lula é marcada pela “ingenuidade e pela megalomania”, ao tentar mediar conflitos em países como o Irã e o Haiti. “Em seguida, os americanos foram lá e desfizeram tudo que ele tinha feito”, disse o candidato do PSOL.

Serra também criticou a política externa atual, afirmando que Lula tem se aproximado “de regimes ditatoriais como o Irã”, que desrespeitam os direitos humanos.

Questionada sobre sua capacidade de lidar com outros temas que não os ligados ao meio ambiente, Marina afirmou que a questão ambiental dialoga com todos os aspectos da vida de um pais, incluindo os econômicos, de saúde e inclusive políticos. “Economia e ecologia não são questões separadas. Essa é uma mentalidade atrasada”, disse.

Para a candidata do PV, o desenvolvimento sustentável é “o desafio desse século e é fundamental preservar as riquezas do país”.

Todos os candidatos defenderam o investimento em fontes de energia renovável. Para Marina, “como o petróleo ainda é um mal necessário” a Petrobras deveria usar os recursos do pré-sal para investir em tecnologias capazes de substituir o modelo baseado na exploração do petróleo.

Quando Dilma falou dos projetos de energia renovável para o país, sobretudo os relativos a energia hidrelétrica. Marina voltou a criticá-la, alegando ser “lamentável” as termoelétricas serem prioridades, já que hoje se sabe que “a energia eólica é mais barata”.

Notícias relacionadas