Netanyahu pede 'moderação' a colonos na Cisjordânia

Assentamento judeu (Arquivo)
Image caption Congelamento de novas edificações termina neste domingo

O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, pediu neste domingo "moderação" aos líderes dos assentamentos judeus na Cisjordânia, cuja expansão ficou congelada por conta de uma moratória que vigorou nos últimos dez meses.

A poucas horas de que termine o prazo da moratória - e sem estar claro se Israel estenderá ou não a proibição - negociadores israelenses e palestinos tentam buscar soluções para por fim às tensões na região.

A suspensão de dez meses na construção de novos assentamentos judeus na Cisjordânia termina à meia-noite do horário local. As autoridades palestinas querem que o congelamento seja estendido.

Colonos e políticos de direita de Israel disseram que retomarão as construções em território palestino assim que o prazo expirar, se não houver acordo para estender a suspensão.

Na quinta-feira, o presidente americano, Barack Obama, disse que a moratória à construção de assentamentos "melhorou o clima das negociações de paz" e pediu a Israel que estenda a suspensão.

Em meio à tensão na região, o gabinete do premiê israelense divulgou uma nota pedindo a "todos os atores políticos" envolvidos na questão que "demonstrem moderação e responsabilidade" neste momento.

Possível acordo

Netanyahu já havia declarado que não pretende estender o congelamento das construções.

Ainda assim, as negociações continuam e as discussões dividem inclusive os políticos israelenses.

Neste domingo, o ministro israelense da Defesa, Ehud Barak, disse à BBC que as chances de palestinos e israelenses chegarem a um acordo nesse tema "são de 50%".

Ele acrescentou que, se um meio-termo for acordado nas negociações atuais, será possível avançar em direção à conclusão de um acordo de paz mais abrangente dentro de um ano.

"Acho que a chance de chegar a um entendimento mútuo sobre a moratória é de 50%", disse Ehud Barak.

"Acho que as chances de chegar a um processo de paz são muito maiores. Espero que (este processo) não seja interrompido por esta questão da moratória e que possamos avançar com toda força em direção a negociações e acordos substanciais."

Image caption Barack (dir.) e Abbas (esq.) tentam chegar a acordo sobre moratória

O ministro israelense falou à BBC em Nova York, onde participou da reunião anual da Assembleia Geral da ONU.

Ele retorna neste domingo a Israel, onde tentará convencer o resto do governo da necessidade de chegar a um acordo com os palestinos.

Futuro incerto

Israel diz que a retomada das construções não compromete o futuro das negociações de paz, mas há dúvidas sobre a disposição dos palestinos de continuar o diálogo se as edificações receberem luz verde.

Em um discurso na sede da ONU, em Nova York, no sábado, o presidente da Autoridade Palestino, Mahmoud Abbas, disse que Israel precisa escolher entre a paz e a construção dos assentamentos.

Leia também na BBC Brasil: Abbas: Israel deve escolher entre paz e construção de assentamentos

Entretanto, a repórter de diplomacia da BBC, Bridget Kendall, observou que o representante palestino não chegou a ameaçar se retirar das negociações se Israel continuar com as edificações.

Quase meio milhão de judeus vivem em mais de cem assentamentos construídos desde a ocupação da Cisjordânia e do leste de Jerusalém em 1967.

Do ponto de vista internacional as moradias são irregulares, mas Israel questiona essa interpretação da lei.

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