'FT': Sucessor de Lula 'terá trabalho' para que Brasil deixe de ser país do futuro

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Image caption Jornal diz que sucessor de Lula terá muito trabalho pela frente

Uma reportagem da edição desta quarta-feira do jornal britânico Financial Times afirma que o sucessor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva "terá muito trabalho pela frente para fazer com que o Brasil deixe de ser o perene país do futuro" e finalmente atinja seu potencial.

Na reportagem intitulada "Grandes Esperanças", que ocupa uma página inteira no jornal, os repórteres John Paul Rathbone e Jonathan Wheatley escrevem que os eleitores brasileiros passam por um momento de otimismo no país, devido aos avanços econômicos e políticos dos últimos anos.

"O Brasil, aparentemente, nunca esteve tão bem", afirma a reportagem. "[...] No plano das relações exteriores, um ator pequeno de longa data é agora um sério candidato a uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU."

"Como sede da próxima Copa do Mundo e, em 2016, dos Jogos Olímpicos, o Brasil chegou de forma confiante ao cenário global."

O jornal faz uma ressalva de que, "como muitos dos seus vizinhos latino-americanos, o Brasil sempre teve muitas promessas – ou decepções".

"A pergunta agora é se desta vez será diferente", afirma o Financial Times.

Segundo o jornal, entre os desafios que o país terá pela frente está o de melhorar a qualidade dos serviços públicos.

"A complacência é o calcanhar de Aquiles da economia brasileira. O país aspira ser uma potência global, mas para atingir um patamar superior, dizem os analistas, ele precisa passar para um grau de desempenho econômico, focado na oferta de melhores – e não apenas mais – serviços públicos, especialmente na educação", afirma a reportagem.

O Financial Times também defende que o Estado brasileiro – "conhecido por sua ineficiência e burocracia" – seja reduzido, para aumentar a poupança nacional e livrar o país da dependência do capital externo.

Para o jornal, os otimistas estão em vantagem no Brasil. O Financial Times destaca o sucesso da oferta pública de ações da Petrobras, que acabou se tornando a maior da história em todo o mundo, e afirma que a candidata Dilma Rousseff, que lidera as pesquisas de opinião, promete manter as mesmas políticas de Lula.

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