EUA anunciam sanções contra iranianos por abusos de direitos humanos

Repressão a protestos em Teerã em junho de 2009 (arquivo)
Image caption Sanções foram impostas contra altos funcionários acusados de abusos

Os Estados Unidos anunciaram nesta quarta-feira a imposição de sanções contra oito altos funcionários do governo do Irã, acusados de abusos dos direitos humanos.

As sanções foram autorizadas por meio de Ordem Executiva assinada pelo presidente americano, Barack Obama, na terça-feira, e confirmadas nesta quarta-feira pela secretária de Estado, Hillary Clinton, e pelo secretário do Tesouro, Timothy Geithner.

Esta é a primeira vez que abusos de direitos humanos levam os Estados Unidos a impor sanções contra o país persa.

Segundo o governo americano, os oito iranianos estiveram envolvidos na repressão que se seguiu aos protestos contra os resultados do pleito de junho do ano passado, em que o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, foi reeleito, sob acusação de fraudes na votação.

"Sob o olhar desses funcionários ou sob seu comando, cidadãos iranianos foram arbitrariamente espancados, torturados, estuprados, chantageados e assassinados", disse Hillary.

"Apesar disso, o governo iraniano ignorou repetidos apelos da comunidade internacional para dar fim a esses abusos, responsabilizar os envolvidos e respeitar dos direitos e liberdades fundamentais de seus cidadãos."

Os oito iranianos sofrerão sanções financeiras como o bloqueio de quaisquer bens que tenham nos Estados Unidos. Eles também serão proibidos de fazer negócios com cidadãos dos Estados Unidos e de receber visto de entrada em território americano.

Mais sanções à vista

O Irã já é alvo de sanções por causa de seu programa nuclear, tanto por parte dos Estados Unidos e de outros países como do Conselho de Segurança da ONU.

Entre os iranianos sujeitos às novas sanções está Mohammad Ali Jafari, comandante da Guarda Revolucionária que teria também controle sobre as milícias Basij, acusadas de violência após as eleições.

O ministro do Bem-Estar e da Segurança Social do Irã, Sadeq Mahsouli, que era titular da pasta do Interior na época das eleições, também aparece na lista.

A relação inclui também Qolam-Hossein Mohseni-Ejei, atual Procurador-Geral do Irã e ministro de Inteligência na época, Saeed Mortazavi, ex-procurador-geral de Teerã, e Heydar Moslehi, ministro da Inteligência desde agosto de 2009.

Os outros citados na lista são Mostafa Mohammad Najjar, vice-comandante das Forças Armadas, Ahmad-Reza Radan, vice-diretor da Polícia Nacional do Irã, e Hossein Taeb, vice-comandante de Inteligência da Guarda Revolucionária.

Segundo a Casa Branca, a lista de nomes sujeitos a sanções "vai continuar a crescer baseada nos eventos no Irã, e à medida que se tenha acesso a informações e evidências adicionais".

Prisioneiros americanos

Ao anunciar as sanções, Hillary citou casos recentes como o de dois partidos políticos reformistas banidos nesta semana e dois jornais fechados pelo governo iraniano.

"Isso se segue a uma série de condenações e sentenças rigorosas contra vários prisioneiros políticos", disse a secretária.

"Hoje, mais uma vez, nós pedimos a libertação imediata de todos os prisioneiros políticos no Irã e ao redor do mundo", afirmou.

Os Estados Unidos vêm pedindo a libertação de dois americanos presos desde o ano passado no Irã sob acusação de espionagem.

Uma terceira americana pertencente ao grupo, Sarah Shourd, foi libertada pelo governo iraniano há duas semanas.

Os americanos afirmam que estavam fazendo uma caminhada nas montanhas no Curdistão, no norte do Iraque, e cruzaram a fronteira por engano.

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