Justiça divide local sagrado entre hindus e muçulmanos na Índia

Hindus
Image caption Hindus comemoram decisão que lhes deu parte do local

Um tribunal na Índia determinou nesta quinta-feira que um lugar sagrado na cidade de Ayodhya (norte do país), que está sendo disputado há séculos por hindus e muçulmanos, terá de ser dividido por três grupos religiosos.

Até 1992, o local abrigava uma mesquita, que foi destruída por extremistas hindus. O episódio deu início a uma escalada de violência que matou 2 mil pessoas.

Pela decisão do tribunal de Allahabad, o local será dividido em três partes: uma será destinado à comunidade muçulmana, outra para os hindus e outra para os Nirmohi Akhara, membros de uma seita hindu.

A área continuará interditada pela Justiça durante os próximos três meses para medição do terreno.

Rama

Os hindus ficarão com a parte mais disputada – onde um santuário para a divindade Rama foi construído.

Para os seguidores da religião, a divindade nasceu no local e os muçulmanos destruíram um templo hindu para construir a mesquita de Babri, no século 16.

Um advogado da comunidade muçulmana disse que vai recorrer da decisão, o que pode adiar a decisão final.

Em dezembro de 1949, os hindus começaram a colocar estátuas de Rama na mesquita. Depois, os dois lados levaram a disputa para a Justiça.

Em fevereiro de 2002, dez anos após a destruição da mesquita, mais de 50 hindus morreram em um incêndio em um trem, que teria sido provocado por muçulmanos. Pelo menos mil pessoas – muçulmanos, na maioria – morreram na escalada de violência.

Nos últimos anos, as tensões religiosas na região diminuíram.

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