Julgamento de ex-membro do grupo Baader-Meinhof é iniciado na Alemanha

Verena Becker em julgamento em Stuttgart (AP)
Image caption Julgamento de Verena Becker deve se estender até dezembro

Uma ex-integrante do grupo alemão radical de extrema esquerda Facção do Exército Vermelho, também conhecido como grupo Baader-Meinhof, será julgada nesta quinta-feira pelo assassinato de um promotor federal em 1977.

A polícia alemã afirma que amostras de DNA encontradas em uma carta, na qual o grupo assumia a responsabilidade pela morte de Siegfried Buback, levaram à prisão de Verena Becker, de 58 anos, por envolvimento no caso em 2009.

Buback foi morto em uma emboscada junto com dois homens que faziam sua escolta.

Becker foi presa um mês depois do assassinato do promotor, depois de um tiroteio com a polícia. No entanto, não havia provas suficientes na época para condená-la pelo crime.

De acordo com o correspondente da BBC na Alemanha Stephen Evans, o julgamento desta quarta-feira em Stuttgart vai reabrir as discussões sobre eventos que abalaram profundamente o sistema político da Alemanha na década de 70.

Além do assassinato de Buback, naquele mesmo ano a Facção do Exército Vermelho também foi responsável pela morte de dois empresários.

30 anos

No dia 7 de abril de 1977, Siegfried Buback foi assassinado por uma pessoa no banco traseiro de uma moto que conseguiu alcançar o Mercedes onde o promotor estava. Outras duas pessoas, incluindo o motorista de Buback, também morreram na ocasião.

O assassinato do promotor, um dos mais importantes promotores públicos do país na época, foi o ataque mais famoso do grupo Baader-Meinhof.

Durante o auge do grupo, em sua campanha contra a elite da então Alemanha Ocidental e o "imperialismo dos Estados Unidos", eles atingiram banqueiros, empresários, juízes e funcionários oficiais dos Estados Unidos. No total, a Facção do Exército Vermelho matou 30 pessoas.

O grupo foi desfeito há mais de dez anos.

Verena Becker, por sua vez, foi condenada à prisão perpétua por envolvimento e outros seis assassinatos. No entanto ela foi perdoada pelo então presidente alemão Richard von Weizsaecker em 1989, e libertada.

Becker foi presa novamente em agosto de 2009 e acusada de envolvimento na morte de Buback no início de 2010. A acusação foi feita depois que novas provas, descobertas usando novas tecnologias, demonstrarem que vestígios do DNA de Becker estariam em uma carta que o grupo radical enviou assumindo a responsabilidade pelo crime.

Verena Becker não foi acusada de ter disparado os tiros que mataram o promotor e as duas pessoas que o acompanhavam. O responsável pelos tiros nunca foi encontrado.

O filho do promotor, Michael Buback, afirmou que a polícia estava convencida de que apenas homens estavam envolvidos e, então, prenderam as pessoas erradas. Buback quer agora a punição dos verdadeiros responsáveis.

"Verena Becker já foi condenada por sua participação em um tiroteio com a polícia. Depois de cumprir sua pena, ela foi libertada e vivia em Berlim. Ela, e a Alemanha, agora vão reabrir o passado", afirmou.

O julgamento deve se estender até dezembro.