Lugo não precisará de cirurgia, dizem médicos em São Paulo

Fernando Lugo
Image caption Lugo em imagem de arquivo: viagem de emergência a São Paulo

O presidente do Paraguai, Fernando Lugo, internado neste sábado em São Paulo por causa de uma infecção decorrente de um câncer linfático, não precisará ser submetido a cirurgia.

Segundo boletim médico divulgado pelo hospital Sírio-Libanês, às 22h30 (horário de Brasília) e assinado pelos médicos Riad Younes e Antonio Carlos Onofre de Lira, “após exames, foi diagnosticada uma trombose da veia cava superior”, mas “não será necessária intervenção cirúrgica”.

O médico do presidente, Alfredo Boccia, informou, em comunicado divulgado pela Secretaria de Comunicação paraguaia, que o quadro não apresenta “nenhum agravamento do linfoma (de que sofre o presidente), e sim uma complicação do tratamento”. O presidente, agregou, “está estável, sem dores e colaborando com o tratamento”.

Lugo fez uma viagem de emergência a São Paulo neste sábado, vindo de Assunção, por conta de uma "infecção de risco na faringe”, segundo seus médicos no Paraguai.

Fluidos

Eugenio Báez, infectologista que está tratando o presidente, dissera anteriormente aos jornalistas que exames identificaram a presença de “líquidos na faringe que têm a característica de um processo infeccioso. É uma zona de risco e delicada, porque há a possibilidade de (o líquido ir) para os pulmões”.

Báez levantou a possibilidade de Lugo necessitar de cirurgia para drenar os fluidos, que poderiam impedir o presidente de respirar. Ele está desde agosto combatendo o câncer e fizera, no último dia 24, sua terceira sessão de quimioterapia, no próprio Sírio-Libanês.

Segundo o boletim do hospital, o presidente está na UTI recebendo medicamentos.

O comunicado da Secretaria de Comunicação do Paraguai informou também que a trombose que afetou o presidente é uma “eventualidade que pode ocorrer durante a evolução de um tratamento oncológico”.

‘Lúcido’

O presidente em exercício, o vice Federico Franco, disse à imprensa local que Lugo ao viajar estava “bem, lúcido”, e que dera instruções para que seus ministros “fossem postos a trabalhar” na segunda-feira.

Segundo Báez, infecções não são incomuns durante o tratamento, já que o sistema imunológico do paciente está debilitado e especialmente porque "ele (Lugo) tinha um pequeno problema dentário, e (a boca) é uma região por onde infecções podem entrar".

Lugo, cujo mandato vai até 2013, tem câncer em estado avançado, mas com alta probabilidade de cura, disseram seus médicos quando anunciaram o diagnóstico da doença.

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