Classe C vai decidir eleição brasileira, diz 'El País'

Uma reportagem publicada na edição deste domingo do jornal espanhol El País afirma que "a classe C" decidirá quem será o sucessor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo o jornal espanhol, os 30 milhões de brasileiros que saíram da pobreza nos últimos dez anos serão os responsáveis por decidir os rumos da eleição no país.

"São homens e mulheres que mantêm uma economia muito modesta, mas que puderam pela primeira vez abrir uma conta corrente, ter acesso a um pequeno crédito ou comprar a prazo um freezer ou uma máquina de lavar", escrevem os jornalistas Soledad Gallego-Díaz e Juan Arias.

"[Eles são] a autêntica imagem deste novo Brasil que o resto do mundo olha com expectativa e deslumbramento."

O jornal destaca que a classe C hoje não está concentrada apenas nos lugares mais ricos do Brasil, como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, mas também espalhada pelos Estados pobres do Nordeste.

No entanto, o jornal afirma que o Brasil ainda tem muitos problemas, já que grande parte da população ainda vive na pobreza. Outro desafio, de acordo com o El País, é melhorar a qualidade da educação da Classe C.

Lula e Dilma

Outros jornais estrangeiros destacam o legado de Lula e traçam um perfil da candidata Dilma Rousseff, que lidera as pesquisas de opinião.

A edição deste domingo do jornal britânico The Observer traz uma reportagem de uma página sobre o Brasil com o título "O legado de Lula: brilho, riqueza e dinamismo".

O texto assinado pelo correspondente Tom Phillips, do Rio de Janeiro, afirma que "com 81% de aprovação depois de dois mandatos, o presidente sai de cena após transformar a vida de ricos e pobres".

O jornal britânico The Sunday Times traz um perfil de Dilma Rousseff intitulado "A torturada Joana D'Arc do Brasil deve governar".

A reportagem de Amy Stillman, do Rio de Janeiro, fala sobre o passado de guerrilheira de Dilma e diz que a candidata estava "decidida a mudar o mundo" quando entrou para a luta armada.

O passado de guerrilheira de Dilma também é o destaque do jornal francês Le Monde. O título da reportagem deste domingo do jornal sobre a eleição brasileira é: "A metamorfose de Dilma Rousseff, a 'guerrilheira' que virou administradora".

"Caso seja eleita, pode ser que Dilma [...] consiga um feito raríssimo", escreve o jornalista Jean-Pierre Langellier. "Chegar ao posto máximo de uma democracia sem jamais ter cumprido outro mandato eleitoral."

Dilma também é o destaque do jornal americano New York Times. De São Paulo, o jornalista Alexei Barrionuevo escreve que "a protegida de Lula" é a favorita para vencer o pleito, que, segundo o jornal, foi marcada pela falta de grandes polêmicas, apesar de algumas denúncias de corrupção.

O New York Times afirma que tanto uma vitória de Dilma como do candidato da oposição, José Serra, "fará pouca diferença para os rumos da política econômica" do país. No entanto, "poucos vêem Dilma ou Serra com a mesma influência de Lula no cenário internacional", afirma o jornal.

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