Maioria vota em presidente mulher no 1º turno, mas bancada na Câmara cai

Dilma e Marina se cumprimentam após debate no dia 30
Image caption Dilma e Marina tiveram dez vezes mais votos que candidatas em 2006

Com duas mulheres, Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PV), entre os principais candidatos na disputa pela Presidência da República, mais de 60% dos votos para presidente acabaram seguindo para uma representante do sexo feminino no primeiro turno das eleições.

Com quase a totalidade das urnas apuradas, Dilma tinha 47.651.088 votos (46,9% dos votos válidos), e Marina tinha 19.636.335 votos (19,3% dos votos válidos). Juntas, as duas únicas candidatas ao Planalto neste ano receberam 66,2% dos votos válidos.

Na eleição passada, em 2006, havia somente uma candidatura de maior destaque de uma mulher à Presidência, a de Heloísa Helena (PSOL), que recebeu 6.575.393 votos (6,27% do total, ou 6,85% dos votos válidos).

Naquela ocasião, havia também uma candidata de pouca expressão, Ana Maria Teixeira Rangel (PRP), que recebeu apenas 126.404 votos (0,12% do total ou 0,13% dos votos válidos).

Legislativo

Já na escolha para deputados federais, os eleitores deixaram as mulheres de lado. Segundo levantamento da consultoria Patri, a bancada feminina caiu para 8,5% do total da Câmara.

Neste domingo, foram eleitas 44 mulheres para a Câmara dos Deputados, contra 50 na eleição de 2006, este sendo o maior índice desde 1994.

O aumento na votação em mulheres, no entanto, também foi verificado na eleição para o Senado. Com isso, a bancada feminina na casa chega a 10 representantes (12,3% total). A bancada atual tem oito mulheres.

A composição das duas casas do Legislativo, no entanto, pode sofrer alterações, dependendo da decisão do STF a respeito das candidaturas impugnadas pela Lei da Ficha Limpa.

Estados

Neste ano, duas mulheres foram eleitas governadoras já no primeiro turno, e outras duas ainda disputarão o segundo turno.

Nas eleições para governador de 2006 foram eleitas três governadoras, e outras duas mulheres chegaram ao segundo turno, mas acabaram derrotadas.

Apesar do aumento da votação em mulheres, os homens ainda dominam a política brasileira – algo não muito diferente do que acontece na maior parte do mundo.

Segundo dados da agência da ONU para igualdade de gêneros, no início deste ano, apenas 15 países tinham mulheres como chefes de Estado ou governo (excluindo rainhas que são chefe de Estado).

Em todo o mundo, a porcentagem de mulheres parlamentares era, em maio deste ano, de 19,1%. Em 1995, esse porcentual era de 11,3%.

Desvantagem

Para José Antonio Moroni, membro do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), em Brasília, não é possível ter certeza de que o fato de Marina e Dilma serem mulheres tenha influenciado o número de votos que receberam.

“Para o Executivo, tínhamos duas candidatas fortes – uma, por representar uma novidade e a agenda ambiental; a outra, por representar a continuidade de um governo popular –, mas nenhuma trouxe (ao debate de campanha) uma agenda feminista. Defendiam o mesmo que o político homem defende”, diz.

Para ele, o processo de votação no Legislativo desfavorece as mulheres porque “a concorrência é muito maior e preza por quem tem mais recursos e domina a máquina partidária, o que não é o caso das candidatas femininas”.

“Tanto que não temos mulheres liderando partidos (...)Elas já partem em desvantagem na corrida eleitoral”, disse Moroni.

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