Segundo turno é destaque na imprensa estrangeira

Image caption Resultado das eleições foi destaque na imprensa internacional

As eleições brasileiras foram objeto de reportagens publicadas nos sites da imprensa estrangeira na noite do domingo e nesta segunda-feira.

O resultado, que leva a disputa entre a petista Dilma Rousseff e o tucano José Serra para o segundo turno, foi o destaque da cobertura.

Na capa de sua edição online, o jornal espanhol El País disse que a "herdeira de Lula (Dilma Rousseff) vence, mas não evita o segundo turno".

Segundo o diário, as "enormes expectativas despertadas pela candidatura de Dilma" podem terminar sendo prejudiciais no segundo turno, caso o resultado deste domingo seja visto como uma derrota.

O El País afirma ainda que Marina Silva (PV) ganha importância no segundo turno.

"A negociação para o segundo turno se complica e dá um papel de grande importância à candidata do Partido Verde", afirma o texto.

O papel de Marina Silva também é mencionado pelo italiano La Repubblica.

"O resultado da votação é uma surpresa, visto que a ex-guerrilheira e economista apoiada por Lula parecia ter o caminho livre rumo ao Planalto", afirma a reportagem.

"Na falta de consenso sobre Rousseff, parece ter pesado também o ótimo resultado de Marina Silva, a candidata do Partido Verde, que obteve 19,9% (dos votos)", diz o texto.

Carisma

O francês Le Figaro diz na manchete de seu site que "sem surpresa, Dilma Rousseff chega na frente".

Na Grã-Bretanha, o jornal The Guardian afirma que o Brasil "por pouco não elegeu sua primeira mulher presidente".

O jornal diz que, apesar de ter contado com o apoio do presidente Lula, Dilma "não tem o carisma e o reconhecimento de seu mentor político" e afirma que muitos eleitores não conhecem bem a candidata e se referem a ela simplesmente como "a mulher de Lula".

O americano The New York Times disse que Dilma "estava na liderança na noite de domingo em sua tentativa de ser a primeira mulher presidente do Brasil, mas não conseguiu obter votos suficientes para evitar o segundo turno".

Segundo a reportagem, assinada pelo correspondente no Brasil, "analistas expressaram poucas dúvidas" de que Dilma possa vencer seu adversário, o candidato do PSDB, José Serra, no segundo turno.

"Apesar de sua falta de experiência política e charme público, ela pegou carona na onda de prosperidade e bem-estar no Brasil sob a liderança de (Luiz Inácio Lula) da Silva, cujos índices de aprovação estão perto de 80%", diz o texto.

Mulheres

O The New York Times afirma ainda que, se vencer o pleito, Dilma vai se unir a uma onda de mulheres eleitas para cargos de liderança nos últimos cinco anos, incluindo Michelle Bachelet (ex-presidente do Chile), Cristina Kirchner (presidente da Argentina) e Angela Merkel (chanceler alemã).

A manchete do site do jornal Miami Herald também destacou o fato de a "escolhida de Lula" ter de enfrentar seu rival em um segundo turno.

O segundo turno foi destaque ainda no site da rede de TV CNN, que disse que, apesar de receber a maioria dos votos, "a sucessora escolhida a dedo pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva" não conseguiu o necessário para vencer no primeiro turno.

Escândalo e aborto

O venezuelano El Universal diz na manchete de seu site que Dilma não obteve os votos necessários para triunfar no primeiro turno, "à sombra de um escândalo de corrupção de última hora no partido governista e dúvidas sobre sua postura frente a questões sociais como o aborto".

"Nas últimas semanas, acusações contra a chefe de gabinete de Lula e ex-braço direito de Rousseff (Erenice Guerra) e perguntas entre cristãos evangélicos sobre a posição de Rousseff em relação ao aborto e outros temas parecem ter injetado dúvida suficiente entre os eleitores e ter custado sua vitória no primeiro turno", diz o jornal.

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