Para 'FT', vitória de Dilma passa de certa a 'questionável'

Dilma Rousseff e o presidente Lula
Image caption Jornais notaram apoio irrestrito de Lula à candidatura de Dilma

Em reportagem publicada nesta segunda-feira, o diário britânico <i>Financial Times</i> avalia que o resultado do primeiro turno das eleições brasileiras coloca em questão a certeza de uma vitória da candidata do PT, Dilma Rousseff, no segundo páreo.

Em artigo intitulado "Eleições presidenciais do Brasil vão para o segundo turno", a publicação financeira diz que o pleito deu uma "volta surpreendente" ao se confirmar que Dilma não obteve os votos suficientes para liquidar a disputa no domingo.

"O resultado será um golpe abalador para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que fez da sucessão a sua prioridade no último ano de governo", afirmou o <i>FT</i>.

"O segundo turno promete ser uma campanha dura. Rousseff será forçada a entrar em confronto direto com (o candidato do PSDB, José) Serra, algo que ambos os candidatos evitaram até o momento."

A reportagem ressalta que o resultado das urnas também deve fortalecer a posição da candidata do Partido Verde, Marina Silva, que obteve mais de 19% dos votos e "pode desempenhar um papel decisivo" na disputa, dependendo de que candidato apoiar a partir de agora.

"Até o momento, os investidores ignoraram as eleições, acreditando ser um evento sem novidades e partindo do princípio de que nem Rousseff nem Serra se desviarão muito das políticas macroeconômicas ortodoxas seguidas por Lula e (o ex-presidente Fernando Henrique) Cardoso nos últimos 16 anos", afirma o <i>FT</i>.

"Analistas têm manifestado que, mesmo sem conseguir a vitória no domingo, Rousseff deve vencer no segundo turno – um pressuposto que agora parece questionável."

<b>Outros jornais</b>

O espanhol <i>El País</i> avalia que "com os resultados, José Serra salva sua carreira política e Marina Silva consolida sua alternativa e sua capacidade de negociação diante do segundo turno".

Para o diário espanhol, "as enormes expectativas despertadas pela candidatura de Dilma podem terminar prejudicando-a no segundo turno, se seu triunfo, indubitável, mas insuficiente, na primeira rodada se percebe como uma derrota".

"Se, passado o escrutínio, Dilma se mantém em torno dos 43% - 45% dos votos, a negociação para a segunda rodada se complica e dá um papel de grande importância à candidata do Partido Verde."

Em outros jornais, as reportagens publicadas nesta segunda-feira se concentram na vantagem de Dilma e levantam questões sobre um futuro "pós-Lula".

Em editorial, o também britânico <i>The Daily Telegraph</i> disse que o apoio de Lula dá a Dilma uma "vantagem incomparável".

"Se isto será traduzido em sucesso de governo, é outra questão. Rousseff é uma administradora eficiente, mas não tem a mesma habilidade política de seu mentor. Ela precisará de ambas as qualidades para conduzir as reformas iniciadas pelo principal partido da oposição (durante os anos FHC)", relata o jornal.

O francês <i>Le Figaro</i> observa que os eventos relacionados às eleições brasileiras não estão sendo acompanhados "ansiosamente" apenas no Brasil, mas também nos países vizinhos, onde a diplomacia brasileira é ativa.

Na visão do jornal, a liderança de Lula e a guinada à esquerda do continente na última década permitiram ao Brasil defender um mundo "multipolar" na região nos últimos oito anos.

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