Promotoria espanhola diz que dois integrantes do ETA treinaram na Venezuela

Xavier Atristain
Image caption Acusado de integrar o ETA, Atristain disse que treinou na Venezuela

Dois espanhóis acusados de integrarem o grupo separatista basco ETA admitiram que foram treinados na Venezuela, de acordo com documentos da promotoria espanhola divulgados nesta segunda-feira.

Segundo o juiz Ismael Moreno, Juan Carlos Besance e Xabier Atristain ficaram na Venezuela entre julho e agosto de 2008 para fazer um curso sobre armamentos. Eles foram preso no dia 29 de setembro no País Basco, no norte da Espanha.

Se confirmada, essa será a primeira admissão por parte dos separatistas sobre a utilização da Venezuela como local de treinamento. Até então, todos os indícios se baseavam em documentos confiscados do grupo na França e em dados retirados do computador do ex-líder das Farc Raúl Reyes, morto em 2008.

As acusações vêm à tona seis meses depois de vários juízes espanhóis terem acusados o governo do presidente venezuelano, Hugo Chávez, de auxiliar os rebeldes do ETA, abrindo uma crise diplomática entre os dois países.

Leia mais na BBC Brasil: Espanha acusa Venezuela de 'cooperar' com ETA e Farc

Segundo o jornal espanhol El País, Besance e Atristain teriam sido recebidos em território venezuelano por Arturo Cubillas Fontán, um funcionário do governo local que é considerado o responsável pelo grupo separatista no país.

Diretor-adjunto do escritório administrativo do ministério da Agricultura e Terras da Venezuela desde 2005, ele foi processado em março na Espanha por ser o intermediário entre o ETA e o governo venezuelano e também é procurado porte de armas e explosivos.

'Mais seguro'

Durante o treinamento dos dois supostos rebeldes, um dos integrantes da cúpula da ETA, Mikel Carrera Ata, disse que a viagem se justificava, pois o país latino-americano “era mais seguro que a França”, segundo o El País.

O sul da França foi considerado, durante décadas, o principal refúgio dos separatistas bascos. No entanto, operações antiterrorista realizadas em conjunto entre os governos francês e espanhol obrigaram o grupo a procurar outros locais para se esconder.

O ministério dos Assuntos Exteriores da Espanha pediu nesta tarde ao governo venezuelano mais informações sobre esse possível treinamento.

Caracas negou as acusações. O embaixador venezuelano em Madri, Julián Isaías Rodríguez, disse que seu governo não está vinculado “nem ao ETA, nem a nenhuma organização terrorista”. Para ele as declarações dos membros do ETA à Justiça espanhola “não têm credibilidade”.

Rodríguez também reiterou o compromisso de Caracas em “cooperar em todo o momento com o governo espanhol, contra esse ou qualquer outro grupo terrorista que ponha em perigo a paz ou a vida de qualquer cidadão”.

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