Espanha aceita resposta da Venezuela sobre suposta presença do ETA

Cartaz de apoio ao ETA na Espanha
Image caption Madri aceitou declaração de Chávez, que chamou acusados de 'criminosos'

O governo da Espanha aceitou a resposta do presidente venezuelano, Hugo Chávez, à acusação de que a Venezuela serviria como um campo de treinamento para as atividades do grupo separatista basco ETA.

Na segunda-feira, a promotoria espanhola divulgou documentos nos quais dois espanhóis acusados de integrar o grupo separatista basco afirmaram que foram treinados na Venezuela.

Logo após a notícia ter sido divulgada, o presidente venezuelano leu uma carta no canal de televisão estatal venezuelano rejeitando as afirmações.

"Não há dúvida que, com suas revelações absurdas, estes dois delinquentes tentam atenuar a gravidade das penas que a Justiça fará cair sobre eles", afirmou Chávez.

O presidente também disse que "o governo bolivariano lamenta que certa imprensa espanhola, junto com um punhado de parlamentares nostálgicos da ditadura franquista, dê crédito às insinuações dos dois antissociais".

O governo da Espanha, por sua vez, aceitou a resposta de Chávez, qualificando-a de "clara".

"A declaração do presidente Chávez é muito clara, de cooperação", afirmou em uma declaração à uma emissora de rádio a primeira vice-presidente espanhola e número dois na hierarquia do Executivo espanhol, María Teresa Fernández de la Vega.

'Criminosos sanguinários'

Segundo o juiz Ismael Moreno, os dois acusados de integrarem o ETA, Juan Carlos Besance e Xavier Atristain, admitiram que ficaram na Venezuela entre julho e agosto de 2008 para fazer um curso sobre armamentos. Eles foram presos no dia 29 de setembro do País Basco, no norte da Espanha.

Segundo o jornal espanhol El País, Besance e Atristain teriam sido recebidos em território venezuelano por Arturo Cubillas Fontán, um funcionário do governo local que é considerado o responsável pelo grupo separatista no país.

Se confirmada, essa será a primeira admissão por parte dos separatistas sobre a utilização da Venezuela como local de treinamento. Até então, todos os indícios se baseavam em documentos confiscados do grupo na França e em dados retirados do computador do ex-líder das Farc Raúl Reyes, morto em 2008.

No entanto, em sua declaração à televisão estatal, Chávez afirmou que "não se pode dar credibilidade às declarações dadas por dois criminosos sanguinários perante um juiz".

O Ministério do Interior da Espanha deu credibilidade às declarações dos acusados de integrarem o ETA, mas acredita que o governo de Hugo Chávez não está envolvido na questão, de acordo com o jornal El País.

A Procuradoria da Audiência Nacional (o tribunal espanhol que cuida de casos relativos a terrorismo) deu "total credibilidade" à declaração dos dois supostos integrantes do ETA.

"Os integrantes do ETA quando confessam, confessam coisas certas", disse uma fonte do Ministério Público citada pela agência de notícias Efe.

O embaixador da Venezuela na Espanha, Isaías Rodríguez, afirmou que seu país "tem sérias dúvidas de que estas declarações (...) tenham sido totalmente voluntárias".

Por sua vez, Manuel Chaves, o terceiro na hierarquia do Executivo da Espanha, afirmou que "sempre é preciso colocar as declarações dos integrantes do ETA em um congelador".

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